Quarta-Feira, 28 de Novembro de 2007 | Versão Impressa

Crítica de altíssima indefinição

Etienne Jacintho

Nessa maré de TV digital, muita gente vai naufragar. Pelo menos no conceito dos telespectadores. Com a alta definição, celebridades vão se humanizar - digamos assim - e manchinhas, espinhas e ruguinhas vão ficar mais evidentes. E isso não é papo-furado! Em uma degustação feita na redação do Estado com uma TV Full HD, muita gente, em vez de admirar a qualidade das imagens, queria mesmo ver a Paula Toller, do Kid Abelha. E a bela recebeu críticas.

Se as pessoas gongaram a loira - desculpem, mas Paula é linda mesmo em HD -, pense no que vai acontecer quando a Band colocar o Raul Gil no ar em alta definição. O que ele fará com aquele cabelo ainda é uma incógnita... E essa será justamente a primeira atração da rede em HD. Resta à Band torcer para que o apresentador não espante a audiência!

Quem vai sofrer mais com a tal da alta definição são as personalidades que já parecem plastificadas, pois elas não poderão contar com a baixa resolução da TV atual para disfarçar o estica-e-puxa - aquele perceptível quando você vê a celebridade pessoalmente. Hebe, Ana Maria Braga, Eliana e companhia devem estar felizes por não terem seus programas exibidos em HD tão cedo.

Já Glória Maria entrou de cabeça na nova era e gravou em HD um especial para o Fantástico. Corajosa! Mas, Glória, esqueça as lentes coloridas! Se em uma transmissão standard, o efeito dos olhos claros já é péssimo - e isso é uma unanimidade -, imagine em alta definição. Por favor, não faça isso!

Outra vedete da HD é o futebol. Mas para esse esporte de alta definição muscular, a regra é clara: prefira jogos do campeonato europeu e os da seleção italiana. O susto, com certeza, vai ser menor!