Quinta-Feira, 29 de Novembro de 2007 | Versão Impressa
Presa engravidou duas vezes
Mulher diz que passou 3 anos na cela com homens
Carlos Mendes
Ontem, deputados federais que integram uma comissão para apurar o caso da menina L., de 15 anos, violentada por presos na delegacia de Abaetetuba, ouviram o depoimento de uma mulher, que declarou ter ficado três anos com homens na delegacia de Cametá e ter engravidado duas vezes.
"Fui humilhada e vivia no inferno. Eles queriam fazer sexo comigo e ameaçavam me matar. Eu tive de fazer", disse a mulher. O caso da presa, cujo nome não foi divulgado, fará parte de um relatório federal sobre violação de direitos humanos em cadeias paraenses. Haveria outros casos de mulheres grávidas que estão sendo apurados.
Na tarde de ontem, a mãe da menor L. e seus quatro filhos foram retirados de Abaetetuba, onde vinham sofrendo ameaças, e provavelmente também sairão do Estado, amparados pelo programa Pró-Paz , de proteção a vítimas e testemunhas do governo do Pará. Homens da Polícia Militar estiveram na casa da família para levar a mulher e os quatro irmãos de L. para Belém. "Isto não é vida, é um inferno, meu Deus", desabafou. A secretária de Justiça e Direitos Humanos, Socorro Gomes, informou que farão parte do programa o padrasto, a mãe, uma sobrinha e irmãos da menor. "Foi a mãe da menina quem pediu para ser retirada do Pará, temendo por sua segurança e pela dos filhos", disse Gomes.
A adolescente, o pai e a madrasta dela já integram um programa de proteção do governo federal e foram retirados da região. Até ontem, segundo a primeira avaliação feita pela Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil no Pará, 17 mulheres haviam sido transferidas de delegacias do interior para Belém. C.M