Quinta-Feira, 29 de Novembro de 2007 | Versão Impressa

Investimento estrangeiro é recorde

Fernando Nakagawa e Fabio Graner

Com o forte ingresso de US$ 3,188 bilhões em outubro, o Banco Central já aposta que o fluxo de Investimentos Estrangeiros Diretos (IED) vai bater recorde em 2007. Segundo o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, a entrada de investimentos para produção e serviços deve superar a marca dos US$ 35 bilhões. A cifra supera o recorde obtido em 2000, em pleno período de privatizações, de US$ 32,779 bilhões.

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Em tempos de expansão mais forte da economia e com a expectativa de o País receber o grau de investimento, o capital estrangeiro nunca esteve tão presente. O volume que entrou no País em outubro foi o maior para o mês desde 1998. No acumulado de janeiro a outubro, o IED soma US$ 31,2 bilhões, o maior para o período. O número já é 66,1% superior ao de todo o ano de 2006.

Altamir Lopes destaca que os investimentos estrangeiros estão espalhados por vários setores. "Essa é uma característica que considero bastante positiva." Dos ingressos de 2007, o que mais chama atenção é o aumento dos investimentos no agronegócio e no setor extrativo mineral. Em 2006, o segmento respondeu por 6,9% de todo o IED. Na parcial de 2007, a participação mais que dobrou, para 14,7%. Já a participação dos serviços caiu quase 10 pontos porcentuais, de 55% em 2006 para 45,6% na prévia de 2007.

"Mesmo sem as privatizações, vamos bater o recorde. Esse capital tem um perfil positivo porque cerca de 70% dos recursos são destinados para expansão de unidades ou construção de novas", diz o presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), Luís Afonso Lima.

O economista observa que os recursos que entram atualmente no País são diferentes daqueles que ingressaram no fim dos anos 90, quando houve privatizações nos setores bancário, elétrico e de telecomunicações. Lima diz que a compra de ativos predominou na década passada. Agora, o dinheiro é usado para aumentar a capacidade de produção.

O professor de economia da USP Fabio Kanczuk afirma que o recorde é fruto da avaliação positiva sobre o País. "Eles têm vindo de olho no potencial de crescimento do Brasil e pelos sólidos resultados do balanço de pagamentos." Em novembro, até ontem, outros US$ 2,2 bilhões ingressaram no Brasil. Altamir Lopes acredita que o valor deve somar US$ 2,5 bilhões no mês.

O Investimento Brasileiro Direto (IBD) no exterior também tem crescido: somou US$ 4,147 bilhões em outubro e acumula US$ 3,284 bilhões na prévia de novembro até ontem. Altamir aposta que o total somará US$ 8 bilhões no ano.