Quinta-Feira, 29 de Novembro de 2007 | Versão Impressa
Chávez rompe relações com Bogotá
Venezuelano diz que ruptura dura enquanto Álvaro Uribe, a quem acusa de ?mentiroso?, for presidente da Colômbia
Lourival Sant?Anna
Não ficou claro se Chávez se referia a um rompimento formal de relações diplomáticas com a Colômbia, segundo maior parceiro comercial da Venezuela, depois dos Estados Unidos, com um comércio bilateral de mais de US$ 5 bilhões e fronteira de 2.200 quilômetros. "Chamamos de volta nosso embaixador em Bogotá e estamos em processo de análise das relações de maneira integral", disse, mais tarde, o chanceler venezuelano, Nicolás Maduro. "O presidente decidirá a política e a anunciará ao país." Em 2005, num rompante como esse, Chávez também "rompeu" com o então presidente do México, Vicente Fox, mas as relações diplomáticas entre os dois países se mantiveram. De qualquer forma, a ruptura pode durar muito: tanto Chávez (cujo mandato vai até 2012) quanto Uribe (até 2010) aspiram a uma segunda reeleição.
A declaração culminou uma escalada iniciada na semana passada, depois que Uribe pôs fim à mediação de Chávez para a libertação de reféns mantidos pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Antes do anúncio de Chávez, Uribe tinha dito ontem, sem citar Chávez: "Os governantes deveriam respeitar o povo que representam antes de agir por raiva e vaidade."
Chávez vinha mediando a troca de reféns por guerrilheiros presos na Colômbia desde o fim de agosto. Durante a Cúpula Ibero-Americana, realizada há três semanas em Santiago, ele perguntou a Uribe se podia conversar diretamente com o comandante do Exército colombiano, general Mario Montoya. Segundo o alto comissionado da paz colombiano, Luis Carlos Restrepo, Uribe pediu a ele que não fizesse isso, e que mantivesse os contatos no nível presidencial.
No dia 21, Chávez telefonou para Montoya e tentou convencê-lo a retirar o Exército de uma área no centro-sul da Colômbia, para permitir a negociação com as Farc. Uribe se opõe categoricamente a essa idéia.
Naquela noite, Uribe anunciou o fim da mediação de Chávez, ao mesmo tempo em que o presidente venezuelano se vangloriava de seu papel de mediador, num discurso a manifestantes favoráveis a sua reforma constitucional, em Caracas.
No sábado, Chávez negou que Uribe o tivesse desautorizado a falar com o comandante do Exército, chamou-o de "mentiroso", acusou-o de ceder a pressões dos Estados Unidos e disse que o caso ia "afetar" as relações com a Colômbia. O presidente colombiano reagiu no domingo, acusando Chávez de não estar preocupado com o destino dos reféns, mas sim de querer instalar na Colômbia um governo sob influência das Farc, e de ter um "projeto expansionista" que não teria acolhida na Colômbia.
Chávez reagiu anunciando, no mesmo dia, que ia "congelar" as relações com a Colômbia.
Na noite de terça-feira, Chávez se defendeu dizendo que quem tinha planos expansionistas era o "império norte-americano". E, dirigindo-se a Uribe, completou: "Você é um servil instrumento do império. Você é um triste peão do império."
LAÇOS CONTURBADOS
17/8: Hugo Chávez aceita proposta de senadora colombiana Piedad Córdoba de mediar negociações de paz com as Farc
22/11: Colômbia põe fim à mediação, depois de Chávez telefonar para comandante do Exército sem autorização de Uribe
Domingo: Chávez chama Uribe de mentiroso e ?congela? relações com Colômbia. Uribe diz que venezuelano quer instaurar na Colômbia um governo das Farc
Segunda: Chávez afirma que Uribe é o "porta-voz da oligarquia antibolivariana"
Terça: Venezuela convoca embaixador na Colômbia
Ontem: Caracas rompe relações