Terça-Feira, 18 de Dezembro de 2007 | Versão Impressa

Domínio brasileiro

Eleição da Fifa reconheceu Pelé, consagrou Kaká, garantiu o bi para Marta e premiou Buru, do futebol de praia

Eduardo Maluf e Jamil Chade

O suntuoso Palácio da Ópera de Zurique foi fechado, ontem à noite, para uma festa brasileira. O protagonista Kaká encerrou seu ano perfeito com mais um prêmio, o de melhor jogador de 2007 em eleição da Fifa. E viu Marta triunfar entre as mulheres (veja na pág. 2), Buru - campeão mundial com a seleção no Rio - ser escolhido o número 1 do futebol de praia e Pelé ser homenageado pela entidade - e aplaudido de pé pelo público.

A noite só não foi brasileira no clima. Os termômetros apontavam 2 graus negativos durante a cerimônia. Nada, no entanto, que afetasse a alegria dos premiados. Sobretudo de Kaká. O meia do Milan termina o ano como maior nome do futebol mundial, sem concorrentes. Foi escolhido o melhor pela revista France Football, pela World Soccer, pela Uefa e, ontem, pela Fifa. E ganhou a Copa dos Campeões da Europa e o Mundial de Clubes com atuação de respeito.

A pontuação mostrou sua assustadora vantagem sobre os outros dois finalistas. Somou 1.047 pontos contra 504 do argentino Lionel Messi, o segundo, e 426 do português Cristiano Ronaldo, o terceiro. Ronaldinho Gaúcho ficou em quinto, com 109. "Com esse prêmio, encerro uma etapa na minha carreira e, agora, vou lutar para conquistar tudo isso de novo." Um de seus objetivos para 2008 é ajudar o Brasil a conquistar o inédito ouro olímpico, em Pequim. O meia do Milan é o quinto brasileiro a conquistar o troféu da Fifa, depois de Romário, Rivaldo, Ronaldo e Ronaldinho.

O alemão Franz Beckenbauer, um dos fãs do vencedor de ontem, disse que Kaká se diferencia pela inteligência. "Ele é eficiente, objetivo." Lionel Messi, com um tom um pouco argentino, não concordou com a esmagadora vitória do brasileiro. "Para mim, o melhor é o meu amigo Ronaldinho."

Um tapete vermelho foi estendido para receber os astros em Zurique. Kaká contou com o prestígio de toda a família. Os pais, Bosco e Simone, e o irmão, Digão, viram tudo da platéia. "Melhor impossível", comemorou o engenheiro Bosco, que agencia a carreira do craque. A mulher, Caroline Celico, sorridente, chegou ao palco do evento de mãos dadas com o jogador. Em cinco meses, o casal terá o primeiro filho.

O ex-são-paulino, como de costume, agradeceu "à família e a Deus", e citou a Bíblia. Freqüenta a Igreja Renascer em Cristo e diz ter intenção de ser pastor evangélico depois de pendurar as chuteiras.

Ao contrário de Marta, outro destaque da noite, Kaká cresceu em família de classe média alta e nunca passou dificuldade. Hoje tem contratos expressivos, tornou-se milionário e pode escolher onde jogar. A atacante do Umea, nascida em Alagoas, recebe salário apenas razoável na Suécia e ainda não pôde dar a vida que deseja à família. Ela voltou a pedir, ontem, mais apoio ao futebol feminino.

Após o show brasileiro na Suíça, um desabafo do mais conhecido brasileiro do mundo. "Com tanto governante fazendo coisas erradas no Brasil, está aqui o esporte para limpar a cara do País no exterior", declarou Pelé.