Segunda-Feira, 31 de Dezembro de 2007 | Versão Impressa
''''Não quero ser guiado por uma matriz externa''''
NIZAN GUANAES: Presidente do Grupo ABC[br]Empresário questiona modelo de globalização da publicidade e defende o fortalecimento dos grupos brasileiros
Marili Ribeiro
DESNACIONALIZAÇÃO: "O modelo mundial de publicidade é o seguinte: fraciona, estabelece os birôs de mídia, acaba com a BV (Bônus por Volume , calculado com base na verba do anunciante aplicada no canal de comunicação. Esse modelo é responsável por boa parte da receita das agências no Brasil), estabelece hot shops, agências que cuidam só de criação. O que acontece nesse cenário? Simples: o sujeito pega uma conta em Minneapolis (EUA), negocia a conta globalmente por U$ 4 bilhões e dá bônus para o lado abaixo do Equador. Vai fazer as agências daqui trabalharem por 3% em cima de uma verba que aqui fica em torno de R$ 1 milhão.
Nos meios de comunicação existem barreiras para esse tipo de dumping. Capital estrangeiro tem restrições para entrar. Caso contrário, fica impossível concorrer. É natural, dentro da dinâmica do capitalismo, que cada player defenda seus interesses. Devemos fazer em condições iguais e defender a nossa lógica."
MODELO ARGENTINO: "O Brasil tem uma qualidade criativa importante. A tentação de seguir o modelo argentino de pequenas hot shops, com oito ou dez pessoas, que ganham um monte de prêmios em Cannes, mas não ganham dinheiro, é ineficiente por ser totalmente extrativista. Não tenho nada contra as hot shops. Mas os grupos que me influenciam não são conglomerados de comunicação global. Veja se na China é possível fazer negócio sem sócio chinês!
O Brasil vive um momento de ouro. Temos acesso a crédito. Temos mercado de capitais. Os grupos de serviços de comunicação no País têm que aproveitar isso para se posicionar. Se um player como Omnicon tem uma receita de US$ 11 bilhões, não é possível ficar pensando coisas pequenas."
MEDO DE CRÍTICA: "O grande problema do mercado brasileiro é que toda vez que você fala de seu posicionamento soa como crítica ao outro. Cada um que tenha seu livre arbítrio. Nós, como grupo, não queremos ser rabo. Queremos ser o cachorro. A luta aqui é contra custos. Queremos acabar com toda essa ?frescurada? de festas, que eu mesmo sou um dos responsáveis por ter incentivado. Temos boas agências, precisamos ter melhores empresas.
Hoje, o executivo da publicidade tem que conversar com os clientes sobre distribuição, design e endomarketing. Não tem que torcer o nariz na hora de fazer peças para o ponto de venda, por achar que se trata de coisa menor. O importante é o anúncio."
FUTURO DIGITAL: "Em 2008, vamos comprar agências digitais, as hot shops do segmento, que crescerão muito. Estamos de olho em algumas. Faz parte do planejamento e das oportunidades para o futuro. Agir dessa forma, com programação, é pura profissionalização."