Domingo, 03 de Fevereiro de 2008 | Versão Impressa
Preço faz governo cancelar compra de laptops
Computadores portáteis para escolas deveriam custar US$ 100, mas valor chegou a US$ 360
Lisandra Paraguassú
A primeira licitação foi feita no dia 18 de dezembro do ano passado e o preço mínimo oferecido foi de R$ 654 - cerca de US$ 360 -, pelo grupo Positivo. No dia 20 daquele mês, o governo abriu novamente o pregão para tentar reduzir mais uma vez os preços, mas não conseguiu. Depois de encerrado o pregão, o ministério da Educação ainda tentou negociar diretamente com a Positivo, mas foi novamente malsucedido.
Na época, a empresa afirmou que seria impossível cumprir as exigências do governo por esse preço. Além dos equipamentos, o governo pretendia que fossem oferecidas garantias de três anos em todo o País. A distribuição também seria feita pela própria empresa e o pagamento, apenas depois de todos os computadores instalados.
Para pagar o que a empresa exigia, o governo federal teria de desembolsar R$ 98,1 milhões pelos 150 mil computadores. De acordo com as informações obtidas pelo Estado, não há recursos previstos para pagar esse valor. Na época em que lançou o programa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que já se conseguira encontrar equipamentos a US$ 150, mas esperava poder baixar ainda mais.
A intenção do governo era levar um laptop para cada estudante de escola pública em um projeto inicial que contemplaria 300 escolas em todo País, sendo parte delas na área rural.
O novo edital que será aberto pelo governo poderá ceder em alguns pontos, como diminuir um pouco o período de garantia. No entanto, o ministério da Educação ainda acredita que pode obter preços melhores sem grandes alterações. Nessa primeira licitação teria havido pressão dos fabricantes para o governo aceitar o preço oferecido nos pregões de qualquer forma, esperando que a compra fosse ser feita de qualquer maneira.