Quarta-Feira, 13 de Fevereiro de 2008 | Versão Impressa

Buffett oferece ajuda de US$ 800 bi a seguradoras e acalma mercados

Magnata fez a oferta às três maiores empresas do setor, MBIA, Ambac e FGIC; uma delas já recusou

Nova York

O bilionário Warren Buffett, terceiro homem mais rico do mundo, conseguiu ontem, ainda que momentaneamente, algo que autoridades americanas e européias vêm tentando há tempos, sem muito sucesso: acalmar os mercados financeiros. Em entrevista à TV CNBC, ele disse estar disposto a oferecer uma garantia adicional a bônus que hoje são segurados por empresas especializadas nesse negócio, num montante que pode chegar a US$ 800 bilhões.

Essas empresas, conhecidas como seguradoras de bônus, fazem apólices que prometem ressarcir os detentores de títulos em caso de calote da companhia que emitiu os papéis. O resseguro oferecido por Buffett dá um segundo nível de cobertura a esses títulos.

O bilionário deixou claro o interesse apenas na parte de garantia de bônus emitidos por municípios. Ou seja, não inclui os negócios dessas companhias na área de hipotecas, que vêm apresentando enormes rombos em decorrência da crise imobiliária nos Estados Unidos.

Segundo Buffett, a proposta foi apresentada às três maiores do setor: MBIA, Ambac Financial e FGIC. Sem citar nomes, o bilionário disse que uma delas já recusou a oferta. As outras duas não se pronunciaram sobre o plano. A operação seria efetuada por meio da holding de Buffett, a Berkshire Hathaway.

O Índice Dow Jones subiu 1,09%, enquanto a bolsa Nasdaq fechou estável. O Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) valorizou 1,92%. Na Europa, as bolsas fecharam em meio à euforia provocada pelas declarações de Buffett. O Índice FTSE-100, da Bolsa de Londres, disparou 3,54%, e o DAX, da Bolsa de Frankfurt, 3,33%.

"A oferta de Buffett é um sinal de que as seguradoras de bônus não estão tão mal como se imaginava, principalmente porque uma delas já recusou a proposta", comentou Christian Tegllund Blaabjerg, estrategista do Saxo Bank em Copenhague.

HISTÓRICO

As seguradoras de bônus têm sido um dos focos de tensão no mercado global nos últimos meses. Juntas, as principais empresas do setor garantem dívidas estimadas em US$ 2,4 trilhões. Essas companhias estão ameaçadas de perder os ratings (notas) AAA (o máximo da escala) por causa de prejuízos com papéis atrelados às hipotecas de alto risco (subprime) dos EUA.

Eventuais rebaixamentos das empresas do ramo são especialmente importantes por causa do efeito cascata que produzem. Uma queda no rating das seguradoras reduz imediatamente o valor dos papéis que garantem. Além disso, alguns investidores só podem possuir ativos em suas carteiras que tenham o selo AAA.

Se a seguradora cai na escala das agências de risco, eles são obrigados a vender esses papéis, algo que, neste momento, significa prejuízo. Isso porque os bônus atrelados a hipotecas de alto risco perderam grande parte do valor por causa da explosão de inadimplência.

Segundo Buffett, o plano garantiria que as seguradoras - e os bônus cobertos por elas - não perderiam o rating AAA. Dessa forma, ele poderia vender bônus que possui como se tivessem um verdadeiro seguro AAA, ou seja, sem os "descontos significativos" com os quais são negociados atualmente quando os investidores temem um rebaixamento de rating.

No entanto, Dick Smith, diretor da agência Standard & Poor?s, disse ao jornal Financial Times que não está claro se esse tipo de transação reforçaria o rating das seguradoras de bônus.
AGÊNCIAS INTERNACIONAIS COM REGINA CARDEAL