Sábado, 01 de Março de 2008 | Versão Impressa
Chávez propõe grupo para mediar diálogo com Farc
Países como Brasil e Argentina já teriam aceitado a proposta para ajudar nas negociações sobre os reféns da guerrilha; Uribe recusa-se a comentá-la
Efe, Afp e Ap
Segundo o venezuelano, o grupo atuaria como o Contadora, criado em 1983 para mediar o diálogo entre governos da América Central e guerrilhas de esquerda e formado por México, Colômbia, Panamá e Venezuela. Chávez não deu mais detalhes sobre a proposta, mas assegurou que ela já tem o apoio da OEA, e de diversos países, como Brasil, Argentina, França, Equador, Bolívia, Cuba e Suíça. "Todos estão de acordo, menos (o presidente colombiano Álvaro) Uribe", disse Chávez.
Em Bogotá, Uribe se recusou a comentar a proposta. "O governo não tem opinião sobre isso, mas continuamos a buscar por todos os meios a libertação dos reféns", afirmou. Pouco antes do pronunciamento do presidente, o ministro do Interior colombiano, Carlos Holguín, também rejeitou a criação de uma zona desmilitarizada por 45 dias, na qual enviados do governo e da guerrilha se encontrariam para negociar um acordo.
EXIGÊNCIA
A área desmilitarizada é uma exigência das Farc, que na quarta-feira libertaram 4 dos seus 44 reféns políticos. Os ex-congressistas Luis Eladio Pérez, Jorge Eduardo Géchem, Glória Polanco e Orlando Beltran foram entregues ao governo venezuelano após mais de seis anos de cativeiro. A libertação foi um gesto de apoio a Chávez, que se diz disposto a ajudar no diálogo por um acordo humanitário na Colômbia, mas teve seu papel de mediador suspenso por Uribe em novembro.
Em uma entrevista coletiva na noite de quinta-feira, Pérez também pediu que Uribe concorde com a exigência das Farc: "Insto Uribe a demonstrar o êxito de sua política de segurança desmilitarizando os municípios de Pradera e Florida por 45 dias, para depois fazer com que as Forças Armadas recuperem esse território", afirmou.
Companheiro de cativeiro da ex-candidata à presidência da Colômbia, Ingrid Betancourt, Pérez defendeu uma solução política para o conflito. "Se Uribe insistir num resgate militar, receberá 50 cadáveres", disse. O ex-senador pediu mais atenção dos EUA para os três americanos que são reféns da guerrilha colombiana e disse que viajará para esse país para falar com o presidente George W. Bush.