Sexta-Feira, 07 de Março de 2008 | Versão Impressa
Marta confirma a Suplicy que vai disputar eleição
Ex-marido procurou ministra porque cogitava lançar seu nome para concorrer à Prefeitura de São Paulo
Vera Rosa, BRASÍLIA
Com a idéia fixa de instituir na cidade, no Brasil e no mundo a renda básica de cidadania, Suplicy agora quer ser candidato à Presidência em 2010. A curiosidade é que, embora tenha desistido facilmente da prefeitura, sob o argumento de que não enfrentará Marta numa prévia, não descarta a hipótese mais à frente. "Eu posso vir a ser candidato a presidente e tenho convicção de que Marta também considera essa possibilidade", admitiu Suplicy.
Indagado se disputaria uma prévia contra sua ex-mulher, o senador mediu bem as palavras. Depois de um minuto divagando com seus botões, no café do Senado, respondeu: "Para a prefeitura, com certeza não. Para a Presidência, nada impede. Depende da voz do povo." Suplicy contou que só decidiu procurar Marta depois de receber "apelos" de vários petistas, muitos deles professores da Universidade de São Paulo (USP), para entrar no páreo e enfrentar Geraldo Alckmin, provável candidato pelo PSDB. "Marta agradeceu a minha visita e disse que vai ouvir o presidente Lula a respeito de qual o melhor momento para sair, já que, pela lei, pode se desincompatibilizar até o dia 5 de junho", afirmou.
A conversa com a ex-mulher, com quem foi casado por 36 anos e tem três filhos, também girou sobre a renda básica de cidadania, obsessão do senador há mais de uma década. Depois da peregrinação para apresentar a proposta no Iraque, em janeiro, Suplicy viajou ontem para Boston, onde participará de um congresso sobre o assunto. No domingo, vai se reunir com o filósofo Phillippe Van Parijs, conhecido defensor da renda mínima, e Amartya Sen, prêmio Nobel de Economia de 1998.
"Eu disse a Marta que, a partir de agora, quero estimular todos os candidatos a prefeito a instalar a renda básica de cidadania", comentou. Sem esconder a mágoa por não ter conseguido ver a proposta virar realidade no Brasil, foi taxativo: "Se o presidente quiser adotá-la, sabe que pode contar comigo." Suplicy despertou a ira de Lula ao insistir em disputar com ele uma prévia, em 2002, para a escolha do candidato do PT à Presidência.
Empolgado com a viagem a Boston e a possibilidade de se avistar com Samantha Power, mentora do programa de Barack Obama, o senador só deixou no Brasil uma frustração: não conseguiu nem mesmo cumprimentar Bob Dylan. "Ele tem por norma não conversar com ninguém antes do show", explicou. Para matar a saudade, porém, Suplicy promete cantar Blowing in the wind. Em Boston.