Quinta-Feira, 13 de Março de 2008 | Versão Impressa
União paga mais ao algoz que à vítima
Líder de atentado obteve benefício de R$ 1.627; mutilado ficou com R$ 571
Rejane Lima
A diferença das indenizações foi revelada ontem pelo jornalista Elio Gaspari. Corretor de imóveis em Santos, Lovecchio estudou Administração de Empresas, trabalhou com informática, foi casado, teve um filho, divorciou-se. Hoje vive em um apartamento com a mãe, em frente à Praia do Gonzaga. "O apartamento era do meu pai", afirma o corretor.
ESTILHAÇOS
Ele estava na capital paulista no fatídico 19 de março de 1968, para trabalhar com o pai, enquanto completava as horas de vôo para tornar-se piloto comercial. Os estilhaços de bomba deixaram cicatrizes nas pernas e nas costas. Oito dias depois, o jovem de 22 anos teve a perna esquerda amputada, pouco abaixo do joelho. A carreira de piloto ficou para trás, mas não o otimismo: "Pensei: se o Roberto Carlos tem perna mecânica e é o que é, eu também posso."
Ele diz não ter rancor dos autores do atentado, mas pede justiça. "Não pode a vítima ter menos direito que o autor do dano."
"Houve um período na minha vida, de 1968 até 1975, em que eu não era tido como uma vítima, era um suspeito de ter colocado a bomba. Vivi num limbo jurídico", relata. Foi detido três vezes.
Lovecchio mantém no site www.exibir.com os projetos de lei, medidas provisórias e documentação da sua luta. Atualmente, tenta aprovar uma lei que lhe garanta benefício equiparado ao dos anistiados. No site, expõe ainda a carta já levada três vezes ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, duas delas no Forte dos Andradas, no Guarujá. "Mas o presidente é omisso", afirma Lovecchio.
RECADOS
O Estado deixou recados nos celulares de Diógenes e do seu advogado, mas não obteve resposta para ouvir a versão deles.