Terça-Feira, 18 de Março de 2008 | Versão Impressa
EUA barram deportação de Andréia
Brasileira condenada por prostituição volta para prisão porque promotoria quer que ela passe mais informações
Tonica Chagas, Mariana Della Barba e Reuters
A brasileira está incomunicável na prisão Bergen County, no Estado de New Jersey, porque se recusa a colaborar sem antes falar com seu advogado.
Em fevereiro, Andréia foi condenada nos EUA por exploração da prostituição, posse de drogas e lavagem de dinheiro. Ela corria o risco de ser sentenciada à prisão perpétua, mas, como forneceu informações ao governo, seria deportada.
Em entrevista por telefone ao Jornal Nacional, Andréia afirmou que a promotoria propôs que sua deportação fosse cancelada, caso ela aceitasse dar mais informações. No entanto, ela recusou o acordo e disse que "estava louca para ser deportada". A brasileira disse ainda que foi colocada em uma cela separada após se desentender com uma das guardas, mas tinha recebido autorização para fazer um telefonema. A reportagem informou que a cafetina estava sob cuidados médicos na prisão, sem detalhar qual seria seu problema.
Segundo um amigo de Andréia que acompanha o caso desde que ela foi presa, em junho de 2006, a procuradoria quer dados que relacionariam nomes tão importantes quanto o de Spitzer à rede de prostituição Emperors Club VIP, em que a capixaba já havia trabalhado antes de abrir sua agência de garotas de programa.
"Na sexta-feira à tarde, Andréia foi levada, por três agentes da procuradoria, da prisão de Bergen County para a central do serviço de imigração, no sul de Manhattan, e de lá deveria seguir para o aeroporto", disse o amigo dela, que não quis ser identificado. "Em vez disso, os agentes passaram a interrogá-la. Queriam saber nomes de outras pessoas envolvidas no mesmo caso de Spitzer. Como ela se negou a colaborar, foi levada de volta a Bergen County e colocada numa cela solitária."
HABEAS-CORPUS
Vicent Parco, investigador que trabalha como advogado de Andréia, confirmou que ela está presa em Bergen County, onde ficam os prisioneiros que serão deportados, conforme estabelece o Departamento de Imigração dos EUA. "Ela está sendo questionada. Agora, estamos entrando com um pedido de habeas-corpus para que ela seja solta o quanto antes", disse Parco ao Estado, por e-mail.
O cônsul do Brasil em Nova York, José Alfredo Graça Lima, deve dar uma entrevista coletiva hoje, para informar sobre a situação de Andréia. O padrasto da brasileira, Alexandre Lemke, informou que um funcionário do consulado deve visitá-la hoje no presídio.
A capixaba é apontada como a informante que levou à descoberta da rede de prostituição à qual Spitzer foi vinculado. A polícia teria encontrado no apartamento dela documentos da empresa fantasma QAT Consultoria, para a qual ela já teria trabalhado, que era a fachada do Emperor?s Club VIP.
O ex-governador fez diversos depósitos para a QAT e, pelos documentos descobertos com Andréia, a polícia fez a ligação do político com os pagamentos dele à empresa.
POSSE EM NY
O vice de Spitzer, David Paterson, de 53 anos, assumiu ontem o governo de Nova York. Primeiro governador negro do Estado e primeiro líder cego do país, ele tem pela frente a missão de administrar a crise econômica de Nova York, cujo déficit público é estimado em US$ 5 bilhões, num orçamento de US$ 124 bilhões.
Na cerimônia em Albany, capital do Estado, Paterson falou sobre os problemas econômicos que atingem o Estado. Paterson tem até o dia 1º para apresentar um plano político viável para trazer verbas para o Estado, por meio de taxas, empréstimos ou corte de gastos.