Quinta-Feira, 20 de Março de 2008 | Versão Impressa
Anjos de Barro chega à net com download gratuito
Obra de 86 de José Maria Mayrink, do Estado, continua atual
Mas o impacto de descobrir que um filho é deficiente continua surpreendente e forte. ''Pais e parentes buscam amparo no exemplo do outro, depois que se deparam com a notícia.'' Em vez de reeditar o livro-reportagem, cuja procura é grande atualmente, José Maria Mayrink, autor também de Vida de Repórter, decidiu colocar o conteúdo integral do livro na internet. Ele está disponível para download gratuito no site da Geração Editorial - www.geracaobooks.com.br.
Dividido em 15 capítulos e feito em seis meses, Anjos de Barro (190 págs.) se refere aos portadores de síndrome de down. Ele trata, no entanto, de outros problemas: deficiências visuais, auditivas, físicas, autismo, paralisia infantil, nanismo, diabete juvenil, entre outras. Mayrink também se preocupou em falar dos superdotados e do amor entre indivíduos especiais.
O prefácio é escrito pelo cartunista Henfil, que nele alertou pela primeira vez para o risco que os hemofílicos corriam de contrair HIV em transfusões de sangue. Henfil conta, por exemplo, como, desde criança, ele e os irmãos Chico e Betinho já sofriam com a doença que impede a rápida coagulação de sangue e com a brincadeira dos colegas que diziam que os três irmãos tinham ''sangue de barata''. Esse prefácio entre o comovente e o gracioso, por relatar em detalhes as dificuldades pelas quais passam os portadores de hemofilia, é considerado como mais um capítulo de Anjos de Barro, segundo José Maria Mayrink.
PRECONCEITO
''Embora exista uma consciência melhor da sociedade, e das famílias, o preconceito ainda existe, sobretudo no mercado de trabalho.'' Para reeditar o trabalho, Mayrink pretendia fazer uma revisão completa dele. Do contrário, não sentiria que o trabalho sairia honesto. A dificuldade é que alguns entrevistados já morreram e instituições fecharam as portas, enquanto outras ''mudaram para melhor'', além dos avanços científicos e medicinais.
Em um programa da Oboré - Projetos Especiais em Comunicações e Artes, parte da atualização foi realizada por estagiários de jornalismo, em 2001, e seria anexada à reedição. ''Mas para reeditar era preciso voltar a todos os personagens e, para algumas famílias, falar de quem já morreu era doloroso'', diz o autor. E, por meio dessa iniciativa generosa, Mayrink pretende amenizar a dor e a surpresa do impacto de quem tem um ente querido carente de cuidados mais especiais.