Sexta-Feira, 21 de Março de 2008 | Versão Impressa

Mulheres, o maior adversário dos colecionadores

Fernando Cassaro

Aqueles gibis guardados no baú podem valer um bom dinheiro. Segundo colecionadores, as edições nacionais mais procuradas são as produzidas durante a 2.ª Guerra Mundial. Entre 1939 e 1945, com a escassez de papel, empresas reduziram drasticamente as tiragens. Segundo Celso Freixo, essas edições raras podem custar até R$ 10 mil. É um valor baixo, comparado ao de edições americanas. O gibi mais valioso dos Estados Unidos é o número 1 do Action Comics, de 1938. Uma edição pode valer US$ 400 mil. O que faz a cotação atingir esse nível astronômico é a aparição do Superman. Da tiragem de 1 milhão de exemplares, só há hoje 65 catalogados. Outro exemplar raro é o Detective Comics 27, de 1939. É quando o Batman aparece. Vale US$ 300 mil.

Mas o principal obstáculo, dizem colecionadores, não é a dificuldade de achar material ou ter de lutar contra traças, cupins e poeira. E sim as mulheres. "Toda vez que compro um lote de revistas, minha mulher me xinga", reclama Geraldo Cachola. "Mas sou durão. Quando quero fazer algo, faço." O colecionador Antonio José da Silva, de 58 anos, radicalizou: comprou uma casa para guardar seus 100 mil números. "A mulher do colecionador é o pior inimigo", confirma. Não bastasse esse "luxo", Tom Zé, como é conhecido, contratou um funcionário para tomar conta do acervo. E, para quem pensa em começar, ele aponta três requisitos: espaço, dinheiro e tempo.