Quarta-Feira, 02 de Abril de 2008 | Versão Impressa
Promotoria entra com ação contra remoção de moradores
Segundo MPE, verba para Ponte Estaiada não foi investida em favela
Diego Zanchetta
Agentes da Prefeitura informam aos moradores que o prazo final para adesão às opções oferecidas - indenização de R$ 5 mil, ajuda de R$ 8 mil ou a mudança para conjunto habitacional - termina neste mês, quando a obra de R$ 230 milhões deve ser inaugurada. A ponte ligará a Avenida Jornalista Roberto Marinho à marginal. A obra foi projetada na gestão Marta Suplicy (PT) e suspensa em 2005, quando José Serra (PSDB) assumiu a Prefeitura.
Segundo a promotora Cláudia Beré, o Jardim Edite é uma Zona Especial de Interesse Social (Zeis), portanto deve ser alvo de urbanização e não de remoção."E percebemos que todo o dinheiro da Operação Urbana Água Espraiada foi usado até agora somente na construção da ponte. Nada foi feito de melhorias para os moradores da favela", diz. Se a Justiça conceder liminar ao MPE, a remoção terá de parar, o que pode ocorrer nos próximos dias, antes da inauguração da ponte. "A Prefeitura também se comprometeu a realocar os moradores em área próxima de onde eles estão. E o que vem sendo oferecido são vagas em um conjunto no Campo Limpo", completou.
O inquérito instaurado no MPE teve como base ação da Defensoria Pública do Município, de dezembro passado, que pedia a suspensão do pagamento da verba indenizatória de R$ 5 mil aos moradores que querem voltar à cidade de origem. A Defensoria argumentou que seriam necessárias obras de urbanização no local, como prevê o Plano Diretor de 2002.
Segundo a Secretaria Municipal de Habitação (Sehab), das 815 famílias cadastradas na ocupação, 230 fizeram a opção pela verba de R$ 5 mil e outras 75 pela mudança para um conjunto da CDHU no Campo Limpo, a 18 quilômetros da favela. Outras 166 famílias optaram pela verba de R$ 8 mil, destinada aos interessados em comprar imóvel em área pública.
No início da tarde de ontem, cerca de 500 moradores protestaram contra a remoção em frente à Câmara Municipal. "Os agentes estão nos pressionando a deixar o local antes da inauguração da ponte. Só que ninguém quer pegar verba de R$ 5 mil ou ir morar lá no fundo do Campo Limpo", reclamou Lucy dos Santos Diogo, uma das lideranças no Jardim Edite.
Em nota, a Sehab informou não ter prazo para o fim da remoção e negou fazer pressão sobre os moradores. "O que tentamos explicar à população é que as unidades que estão sendo oferecidas são da CDHU e estão prontas desde o ano passado. Essas unidades não podem ficar esperando para sempre."