Quinta-Feira, 10 de Abril de 2008 | Versão Impressa
Indústria da moda abre vagas para executivos
Com a crescente profissionalização das grifes, já falta gente especializada para administrar as empresas
Ana Paula Lacerda
"As escolas de moda formam estilistas, não executivos. E o mercado não estava organizado, há até pouco tempo, para que houvesse a necessidade de um grande CEO", diz o sócio diretor do Grupo Maria Bonita, Alexandre Aquino. "Mas agora será uma necessidade de curto prazo achar pessoas com conhecimento do mercado de moda e que consiga obter os melhores resultados das empresas."
O setor de moda e têxteis movimenta US$ 34 bilhões ao ano no País, porém é extremamente pulverizado. Segundo a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), são cerca de 30 mil empresas de micro a grande porte.
"São poucos os profissionais que percebem que moda não são apenas números de produção e resultado, mas o resultado de uma conta que envolve sensibilidade e até a emoção do consumidor", diz Valdemar Iódice, fundador da marca Iódice. "Em quase todas as marcas, vemos os criadores nos postos mais altos." A formação de profissionais dentro da empresa, como ocorre hoje, deixa de servir. "Às vezes é bom trazer alguém de grandes varejistas, para aumentar a agressividade do pessoal. Afinal, tem de vender."
Iódice e Aquino, da Maria Bonita, afirmam que não estão à venda, mas estão conversando com diversos grupos para se inteirarem das mudanças de mercado. "Cogitamos até nos juntarmos a algum grupo daqui a um ano", diz Aquino.
Segundo a headhunter francesa especializada no setor de luxo, Floriane de Saint Pierre, o Brasil está passando por um movimento pelo qual a França passou há 30 anos. "Quando as grandes casas deixaram de ser familiares para crescerem e serem listadas nas bolsas, houve uma corrida por CEOs e diretores comerciais. Esse provavelmente será o primeiro passo dos grandes grupos no Brasil - a criação e a gestão têm de conversar."
O diretor comercial da BR Labels (que controla as marcas VR Menswear, VR Kids, Mandi e representa a Calvin Klein no Brasil), Flavio Musa, diz que buscou profissionais de empresas de design, administração e marketing para atuar na VR. "Com o crescimento das importações e exportações, profissionais das áreas de administração e comércio exterior passam a ter mais importância."
PRODUÇÃO
Além da falta de executivos, o setor sofre com a escassez de mão-de-obra. "Minha piloteira (produtora de peças piloto) mais nova tem 50 anos", diz Aquino. "Também não temos modelistas. Muitas pessoas não aprendem a técnica por acharem que não tem o mesmo glamour do estilista." Segundo ele, a carga tributária fez com que muitas empresas médias fechassem as portas. "Nas micro as pessoas não aprendem essas funções, e nas grandes não há tempo para formar."