Sábado, 12 de Abril de 2008 | Versão Impressa

Tem festa no beco da Vila Madalena

Eletrocooperativa promove troca de experiências musicais, com oficinas e shows grátis de Arnaldo Antunes e Lucas Santtana

Lauro Lisboa Garcia

A experiência de ''inclusão musical'' da ONG Eletrocooperativa tem aberto muitas perspectivas entre jovens de baixa renda em Salvador, oferecendo formação musical, técnicas de produção e acesso à tecnologia, com louváveis resultados. Parte dessa experiência que une o artístico e o social, vai ser mostrada hoje e amanhã no evento Bairro Musical, com oficinas, DJ sets e shows, no famoso beco grafitado da Vila Madalena. ''Queremos promover o diálogo entre jovens que estão se formando pela Eletrocooperativa com artistas de renome, como Lucas Santtana e Arnaldo Antunes, que já mantêm um diálogo com a gente em outras esferas'', diz Reinaldo Pamponet , um dos fundadores da Eletrocooperativa.

Os shows começam às 17 horas com Império Negro e Asian Xá (hoje) e Preto Sábio 05 e Eletropercussiva (amanhã), grupos formados pela ONG. Depois deles tocam o baiano acariocado Lucas Santtana e seu grupo Seleção Natural (18h30, hoje), os cearenses do Cidadão Instigado (20h, hoje) e o paulistano Arnaldo Antunes (18h, amanhã). Além da possibilidade de trocar experiências musicais, eles se unem na campanha ''Música livre, comércio justo'', por CDs com preços mais acessíveis (leia ao lado). ''Sempre trabalhamos com esse ambiente de produção digital, com a preocupação de ter um envolvimento com a comunidade onde a gente se insere'', diz . ''Essa é a proposta do Bairro Musical. A gente está na Vila Madalena, que é um ambiente em que rola uma mistura e dentro disso a gente quer mostrar um pouco nossa proposta.''

Instaladas em duas tendas, as oficinas de samba de bumbo, percussão, produção musical de discos e trilhas, audiovisual e rádio (em parceria com a Eldorado FM) começam ao meio-dia, com participação de jovens baianos formados pela Eletrocooperativa. Uma das oficinas de hoje, Papo Sonoro Rap''ercussão, vai mostrar como o projeto Eletropercussiva desenvolveu idéias para reinventar o hip-hop por meio de tambores, trazendo também rappers e percussionistas de escola de samba paulistanos para a discussão.

Com outro núcleo criativo criado há cerca de um ano e meio em São Paulo, eles têm desenvolvido trabalhos por meio de intercâmbio entre baianos e paulistas . O percussionista Fefê Gurman, paulista que virou músico ao morar em Salvador, é um exemplo. Seu disco é um dos projetos desenvolvidos pela Eletrocooperativa em São Paulo, que também tem criado trilhas institucionais e para cinema, jingles para campanhas publicitárias, ringtones para celulares . As palavras de ordem para eles são ''prazer, alegria, paz e vontade de dialogar''.