Sexta-Feira, 25 de Abril de 2008 | Versão Impressa
24 horas para curtir mais de 800 apresentações na capital
Virada Cultural começa amanhã, às 18 horas, com Luiz Melodia no Teatro Municipal
Valéria França
Há entretenimento para todo tipo de tribo. A bossa nova toma contra do Teatro Municipal. Ali grandes expoentes da música popular interpretam álbuns que marcaram época. A programação começa com Luiz Melodia, que interpreta canções como Estácio, Eu e Você, do disco Pérola Negra, que marcou sua estréia, em 1973. E termina no domingo com Jair Rodrigues, Fabiana Cozza e Zimbo Trio, interpretando O Fino da Bossa, um programa popular que originou o LP de mesmo nome, gravado em 1964, no Teatro Paramount.
SHOWS COINCIDEM
Também é imperdível o chamado palco das meninas, montado na Avenida Ipiranga, para apresentar as grandes vozes femininas da atualidade. Muitas começaram nos bares da cidade e ganharam fama nacional. É o caso da cantora revelação Mariana Aydar, de 27 anos, que circulou muito nas casas paulistanas de forró antes de se consagrar neste ano, fechando contrato com a Verve, selo que tem em seu catálogo de Ella Fitzgerald a Diana Krall. Apresentam-se ainda nesse local Tatiana Parra, Marina De La Riva e a mineira Fernanda Takai, a última a subir ao palco, no domingo.
Quem estiver por lá terá dificuldade de escolher o que quer ver. Em espaços diferentes, grandes atrações ocorrem ao mesmo tempo. Às 18 horas de sábado, quando tudo começa, a bailarina Ana Botafogo dança o segundo ato de Giselle, no Vale do Anhangabaú, enquanto a cabo-verdiana Cesária Évora entra no palco principal da Virada no centro, montado na Avenida São João.
Depois de Cesária, às 21 horas, é a vez da cantora Gal Costa, que se apresenta ao mesmo tempo que os sambistas Thobias da Vai-Vai e Osvaldinho da Cuíca, no Viaduto Santa Ifigênia, que será transformado no reduto dos sambistas (veja quadro nesta página, com horários e locais de shows).
A cena eletrônica ganhou seis palcos de atrações. Dois deles prometem ser concorridos. Na Rua 15 de Novembro, o comando ficará nas mãos de DJs brasileiros que conquistaram fama internacional, como Mau-Mau. Na Rua Quintino Bocaiúva, apresentam-se os residentes das principais casas noturnas da noite paulistana - caso do DJ Bocato, do Grazie a Dio, que anima a balada da Vila Madalena, na zona oeste, e de Pil Marques, do Vegas, clube freqüentado por modernos, na Rua Augusta, região central.
SEGURANÇA
Nenhum gênero musical foi limado da programação deste ano, nem mesmo o rap, que no ano passado levou os Racionais MC?s ao palco da Praça da Sé e o espetáculo acabou em vandalismo. "Essa era a maior preocupação da polícia", diz o diretor do evento, José Mauro Gnaspini. "Por isso, montamos o palco no Parque D. Pedro, que é bem mais espaçoso. Além disso, organizamos um espetáculo que tem mais cara de celebração. Para isso, chamamos hip hop das antigas."
A coordenação da Virada dobrou o tamanho da segurança. Estarão a postos 110 brigadistas e 1.200 seguranças privados, além da Polícia Militar e da Guarda Civil Metropolitana. Haverá postos de policiamento e 30 ambulâncias à disposição do público. Todos os hospitais da região estarão de plantão. "Montamos um esquema que consegue atender 500 mil pessoas", diz Gnaspini.
O local será equipado com lanchonetes, que funcionam durante as 24 horas do evento, e banheiros químicos, ao lado de todos os palcos. As ruas do centro receberão iluminação cênica - principalmente os prédios históricos. Haverá sinalização para que o fluxo de pessoas aconteça pelas vias mais largas. "Não há perigo de se perder. E é uma boa oportunidade para o paulistano curtir um pedaço lindo da cidade."