Quarta-Feira, 07 de Maio de 2008 | Versão Impressa
Chefe do TSE questiona político com ficha suja
Ministro condena candidatura de quem é alvo de processo
Felipe Recondo
Depois de comentar que a palavra candidato vem de "cândido, limpo, depurado", Britto disse que mudanças no sistema de registro de candidaturas poderiam ser uma resposta. "Será que não começa por aí a concretização da idéia-força de que o povo merece o melhor?"
Ele atacou a existência de caciques nos partidos, "como se fossem a mais colonial das fazendas de gado", e a falta de compromisso das legendas com os eleitores e as próprias bandeiras. Para Britto, deve haver vigilância contra maus políticos. "É preciso falar cada vez mais de qualidade de vida política para o nosso país. O que requer, de um lado, a eterna vigilância contra aqueles políticos que não perdem oportunidade para fazer de sua caneta um pé-de-cabra e, de outro, valorizar os que tornam a política a mais essencial, a mais bonita, a mais realizadora de todas as vocações humanas: a de servir a todo o povo."
O novo presidente do TSE defendeu o financiamento público de campanha, a continuidade de obras e políticas públicas em anos eleitorais e mudanças no uso do quociente eleitoral, que hoje permite que candidatos com votos suficientes para se eleger percam a vaga para políticos menos votados, mas de partidos ou coligações com melhor desempenho nas urnas.
Quanto aos suplentes de senador, que são escolhidos pelo candidato e não passam pelo crivo das urnas, Britto disse que é preciso mudar isso. Ele criticou o fato de o senador se eleger com suplentes desconhecidos pelos eleitores, mas ressalvou que o mesmo vale para vices de prefeitos, governadores e presidente. O ministro propôs que os nomes e as fotos de vices e suplentes apareçam nas urnas eletrônicas na hora do voto.
"Não é chegada a hora de a Justiça Eleitoral melhor informar o eleitor, fisionômica e nominalmente, quanto àqueles que poderão até ficar no lugar dos titulares sem, no entanto, receber diretamente um voto sequer?"
Britto é o primeiro ministro do Supremo indicado pelo presidente Lula a presidir o TSE. Ele substitui Marco Aurélio Mello e cumprirá mandato de dois anos. Seu vice é o ministro Joaquim Barbosa.
Marco Aurélio vai deixar não só a presidência como o próprio TSE. Eros Grau ocupará sua vaga. Foi na primeira gestão de Marco Aurélio - de 1996 a 1997 - que foi adotado o sistema de urnas eletrônicas. Na segunda gestão, encerrada agora, o TSE decidiu cassar o mandato de políticos que abandonem os partidos depois de eleitos.