Quinta-Feira, 08 de Maio de 2008 | Versão Impressa
Prisão é decretada e casal se entrega
Juiz considera Alexandre e Anna Carolina ?desprovidos de sensibilidade moral e sem um mínimo de compaixão?
Laura Diniz, Rodrigo Brancatelli, Carina Flosi, Josmar Jozino e William Glauber
Antes de o casal seguir para o 9º DP (Carandiru), às 22h30, o clima era de tumulto na frente do prédio, cercado por cem policiais e quase mil curiosos. O ofício judicial chegou às 17h55 à intranet da Polícia Civil. Às 18 horas, a polícia entrou no prédio dos Jatobás e começou a negociar a prisão.
Fossen aceitou na íntegra o pedido de prisão e a denúncia do promotor Francisco Cembranelli e marcou o interrogatório dos réus para o dia 28. O casal responde à ação criminal pelo homicídio doloso triplamente qualificado (por meio cruel, com impossibilidade de defesa e ocultação de outro crime). Ao classificar o casal como "pessoas desprovidas de sensibilidade moral e sem um mínimo de compaixão humana", o juiz disse que a prisão é necessária para garantir a ordem pública e a credibilidade da Justiça. Alexandre e Anna Carolina chegaram ao 9º DP às 23 horas, onde foi formalizado o auto de prisão preventiva, com edredons, roupas e produtos de higiene. Pouco após a meia-noite, seguiram para o IML, onde fariam exame de corpo de delito. O casal foi hostilizado por cerca de 80 pessoas. Posteriormente, Alexandre iria para o 13º DP (Casa Verde), e Anna Carolina, para o 97º DP (Americanópolis). Por não ter diploma universitário, Anna não pode ficar em carceragem especial. Havia a possibilidade de ela ser transferida para a Penitenciária de Sant?Ana. Mas o clima no local era tenso. As presas não admitem a presença dela nem em cela isolada.
O delegado-titular do 13ºDP, Reynaldo Peres, disse ao Estado que o Alexandre não terá regalias. Por dois a três dias, ele deve permanecer isolado em cela de 2 metros por 1 metro, com apenas um colchão. Em cinco celas de mesmo tamanho, separados por grades, estão os outros 33 detentos.
Após esse período, Alexandre deve ser transferido para uma cela com outros detentos. "A gente vai analisar a receptividade dos presos. Porque em qualquer cadeia ele corre risco, por causa desse processo e de toda a comoção." Segundo Peres, o perfil dos presos é de pessoas com nível superior. "Eles são cultos e, apesar de haver homicidas, eles têm respeito pela vida."