Quinta-Feira, 08 de Maio de 2008 | Versão Impressa
Corregedor quer processo de cassação para Paulinho
Para Inocêncio, situação ficou ainda mais delicada depois de escutas que flagraram deputado discutindo como desqualificar a investigação da PF
Eugênia Lopes
"Se o procurador resolver abrir investigação, vou pedir imediatamente a abertura de representação contra o Paulinho no Conselho de Ética", disse Inocêncio. Para ele, a situação do deputado, que é presidente da Força Sindical, ficou ainda mais delicada depois que reportagem do Estado revelou ontem que gravações telefônicas flagraram Paulinho discutindo como desqualificar a investigação da Polícia Federal.
"São denúncias muito graves", afirmou o corregedor. "Ele não poderia usar o mandato de deputado para pressionar A, B ou C. O telefonema foi um momento muito infeliz."
CONVERSA
Paulinho, que circulou ontem pela Câmara, admitiu ter conversado com o advogado Ricardo Tosto sobre o episódio de desvio do BNDES. "Ricardo é meu amigo e liguei mesmo para ele. Não tem problema nenhum. Falei que ia me defender no Congresso Nacional e mostrar minha inocência", disse.
Inocêncio está convencido de que a denúncia feita ao procurador-geral da República para que o Supremo autorize a investigação de Paulinho não é apenas calcada no relatório da Polícia Federal. "O relatório da PF é muito pouco. É claro que tem mais alguma coisa", afirmou o corregedor. Ele já solicitou a Souza o envio do relatório feito pela procuradora da República Adriana Scordamaglia sobre todo o caso.
Os dados com as denúncias envolvendo o presidente da Força Sindical chegaram ontem, às 12h20, na Corregedoria da Câmara. No meio da tarde, Inocêncio assinou ofício, notificando Paulinho para prestar esclarecimentos sobre o episódio com o BNDES. O deputado tem cinco dias úteis para apresentar sua defesa.
DEPOIMENTOS
Além de Paulinho, Inocêncio já avisou que pretende ouvir outros envolvidos no caso: o advogado Ricardo Tosto, o ex-assessor do deputado João Pedro de Moura e o prefeito de Praia Grande (SP), Alberto Mourão (PSDB), que teria pago R$ 325 mil para o deputado intermediar um empréstimo de R$ 124 milhões no BNDES.
"Vou investigar para valer. Não pode pairar qualquer dúvida", disse Inocêncio. Segundo ele, a investigação deverá durar entre 30 e 40 dias. Até lá, o corregedor vai decidir se o caso será arquivado ou se pedirá abertura de processo por falta de decoro parlamentar para a cassação do mandato de Paulinho. Qualquer que seja a conclusão, ela tem de ser aprovada pela Mesa Diretora da Câmara.