Sábado, 10 de Maio de 2008 | Versão Impressa
Brasileiro compra carros cada vez mais equipados. E mais caros
Preço médio dos veículos vendidos no mercado brasileiro subiu de R$ 43 mil em 2006 para R$ 50 mil este ano
Cleide Silva
A Citroën, por exemplo, apresentou ontem em São Paulo a Grand C4 Picasso, minivan importada da França com inédito sistema que ajuda o motorista a fazer a baliza. Sensores instalados na lateral medem o tamanho da vaga e mostram, no painel, se estacionar é possível, difícil ou não aconselhado.
O modelo, que custa R$ 89,8 mil, vem também com freio de estacionamento elétrico automático e sistema que impede o carro de voltar para trás após a parada em um declive. O câmbio automático é uma alavanca em frente ao volante, garantindo maior espaço entre os bancos dianteiros. Outra novidade é o pára-brisa com ângulo de visibilidade de 70 graus, ante 35 graus de uma van tradicional.
A van tem espaço para sete passageiros. A expectativa da marca é de vender 500 unidades ao mês da Grand C4, informa o presidente da Citroën, Sérgio Habib. Com teto solar, o preço do veículo sobe R$ 4 mil. "Brasileiro gosta de carro grande, e não de carros populares; ele compra popular porque é mais barato", afirma o executivo.
Com a melhora da economia do País e da renda da população, esse quadro vem se alterando. Há dois anos, os carros populares (com motor 1.0) representavam 56,2% das vendas, participação que hoje é de 50,8%, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
No primeiro quadrimestre, enquanto o mercado total de veículos cresceu 35%, as vendas de modelos populares aumentaram 21%. Modelos sedãs cresceram 32%. Já o segmento de utilitários esportivos importados, com preços a partir de R$ 80 mil, cresceu 98%. Habib calcula que só as vendas desses modelos, que em 2006 somaram 33 mil unidades, devem chegar a 150 mil este ano.
Segundo ele, os brasileiros estão realmente gastando mais na compra do carro novo. Cálculo com base nos negócios fechados por todas as montadoras mostra que o "tíquete médio" para a compra de um automóvel passou de R$ 43 mil em 2006 para R$ 48 mil em 2007, e hoje está em R$ 50 mil.
DESCENTRALIZAÇÃO
O executivo, que em julho será substituído no comando da Citroën pelo francês Jean-Louis Orphelin, afirma ainda que houve descentralização nas vendas de veículos. "O mercado cresce de maneira completamente desigual", ressalta Habib.
Entre 1999 e 2007 - período em que o mercado brasileiro teve crescimento de 102,7% nas vendas de carros -, os negócios na região que engloba São Paulo, Grande ABC e Rio cresceram 43,9%.
Já nas regiões agrícolas que envolvem nove Estados, entre os quais Minas Gerais, Mato Grosso, Paraná e Rio Grande do Sul, o aumento foi de 121%. No Norte e Nordeste, a alta foi de 168%.