Domingo, 11 de Maio de 2008 | Versão Impressa

Em xeque, Hillary vê opções de retirada

Senadora busca saída honrosa de disputa da qual a única dúvida é sobre quando e como ela jogará a toalha

NYT E WP

Hillary Clinton sofreu uma derrota vexatória para Barack Obama na Carolina do Norte e conseguiu apenas uma vitória magra em Indiana, na terça-feira. No dia seguinte, amanheceu sem dinheiro e teve de tirar de seu bolso US$ 6,4 milhões para pagar dívidas da sua campanha. No placar da corrida democrata, Obama construiu uma vantagem quase insuperável em número de delegados e no voto popular. Por isso, durante a semana, Hillary não conseguiu evitar a debandada de superdelegados para o campo adversário e assistiu a todos os analistas anunciarem o fim da disputa. Assim, a pergunta que todos os democratas se fazem hoje é quando a senadora jogará a toalha e por que ela ainda não desistiu da disputa.

"Ela pode estar usando o que acredita ser um argumento legítimo, o de que ela seria a melhor candidata para disputar a presidência com o republicano John McCain", escreve a comentarista do New York Times Katharine Q. Seelye. "Mas aos olhos do partido e aos olhos dos partidários de Obama, essa posição causa divisão e acirra ânimos."

Na bolsa de apostas, algumas especulações. A primeira é que Hillary estaria esperando vencer bem uma primária para poder sair por cima. Uma boa chance seria a votação de terça-feira, em Virgínia Ocidental, onde ela tem, de acordo com pesquisas, 40 pontos porcentuais à frente de Obama. Um dia após a divulgação do resultado, ela tem uma reunião marcada em Washington com os principais financiadores de sua campanha para decidir seu futuro.

Quem conhece a senadora, porém, acredita que ela prolongue a corrida por mais tempo, na esperança de incluir na disputa os delegados de Michigan e Flórida, que foram excluídos da convenção pela direção nacional do partido porque os Estados anteciparam suas primárias sem autorização. São 366 delegados que poderiam mudar a matemática democrata.

A decisão do comitê de regras do partido sobre essa questão sai dia 31. Para alguns analistas, Hillary tentaria convencer os superdelegados por mais uma ou duas semanas, na esperança de que Obama cometa algum erro grave.

De acordo com pessoas ligadas a Hillary, o ex-presidente Bill Clinton é quem mais estaria pressionando a mulher para que ela continue. Há quem cogite até de a senadora estar negociando com a campanha de Obama trocar sua desistência pelo pagamento de suas dívidas de campanha - mais de US$ 11 milhões.

Outra possibilidade seria negociar a vice-presidência na chapa de Obama. Na sexta-feira, Terry McAuliffe, coordenador da campanha de Hillary, admitiu a hipótese a uma rádio. "É uma boa idéia", disse. No entanto, políticos mais experientes - como o senador Ted Kennedy, que apóia Obama - descartam a possibilidade. "Hillary como vice? Continuem sonhando", afirmou.

Seja qual for o caminho escolhido por Hillary, ela terá de manejar a situação com todo cuidado se ainda quiser ter algum futuro no Partido Democrata. Para amigos e assessores, sua carreira não acabou - poderia tentar a reeleição ao Senado ou candidatar-se ao governo de Nova York, em 2010.