Segunda-Feira, 12 de Maio de 2008 | Versão Impressa
CD traz gravações caseiras feitas por Renato Russo em 82
O Trovador Solitário tem registros inéditos de sucessos como Eduardo e Mônica, Eu Sei e Faroeste Caboclo
Roberta Pennafort
A iniciativa é do pesquisador musical Marcelo Fróes, que era amigo de Renato (o CD sai por seu selo, o Discobertas; a distribuição será feita pela Coqueiro Verde Records). Para vasculhar o baú do compositor, Fróes se juntou à família Manfredini. Entre 2000 e 2002, fez um levantamento de tudo o que ele havia deixado.
O material do disco foi registrado por Renato aos 22 anos, em sua casa, em Brasília, com um gravador portátil - estava numa fita cassete, cujo áudio foi remasterizado. ''O áudio está muito bom, não muito diferente do que obtivemos para algumas faixas incluídas no CD Renato Russo Presente, em 2003'', conta Fróes. O disco a que ele se refere trouxe quatro canções inéditas e trechos das últimas entrevistas concedidas por Renato (ele morreu, em decorrência da aids, em 11 de outubro de 1996).
Uma faixa de Presente que se repete neste CD é Boomerang Blues (''Tudo o que você faz/Um dia volta pra você/ E se você fizer o mal/Com o mal mais tarde você vai ter de viver''), composição de Renato que, em 2003, foi finalizada com a participação de integrantes do grupo Blues Etílicos.
O título O Trovador Solitário foi escolhido porque foi assim que ele passou a se autodenominar depois de deixar sua primeira banda, o Aborto Elétrico - foi também o escolhido para a biografia do compositor que o jornalista Arthur Dapieve lançou em 2000.
Fróes não liberou audições do CD e não revela quais são suas outras faixas - quer fazer surpresa para a grande legião de órfãos de Renato. ''Acho que (o impacto nos fãs) será muito grande, pois vai registrar oficialmente um momento muito importante de Renato, entre o fim do Aborto e a fundação da Legião, quando ele era ''o trovador solitário'' e tocava de voz e violão por aí'', acredita.
O lançamento foi marcado por ocasião do Dia Mundial do Rock, comemorado em 13 de julho. E por que fazê-lo tantos anos depois de encontrada a fita? ''Lançamentos históricos precisam ser feitos de tempos em tempos, não há pressa. Os projetos são realizados pela família para os fãs, um a cada dois anos mais ou menos'', explica Fróes.