Sábado, 17 de Maio de 2008 | Versão Impressa

Flip mistura, em sua sexta edição, disciplinas diversas

Lista de autores está quase pronta; Tom Stoppard é esperado

Com a divulgação oficial da presença dos americanos David Sedaris e Richard Price, a sexta edição da Festa Literária Internacional de Paraty, que ocorre entre 2 e 6 de julho, já conta com 13 autores confirmados. A lista deverá ser fechada nos próximos dias com outros sete nomes e há ainda a expectativa da vinda do dramaturgo (Rosencrantz e Guildenstern Estão Mortos ) e roteirista (Shakespeare Apaixonado, pelo qual ganhou um Oscar) Tom Stoppard, o que o alçaria à posição de grande estrela da feira.

Para o diretor de Programação da Flip, o jornalista Flávio Moura, a proposta desta edição é trabalhar a interdisciplinaridade. Assim, torna-se relevante a presença de artistas como a cineasta argentina Lucrecia Martel e o escritor e quadrinista americano Neil Gaiman. A disposição segue uma idéia antiga, quando outros programadores tentaram trazer nomes como o diretor italiano Bernardo Bertolucci. Sobre o evento, Moura respondeu às seguintes questões.

Como você norteou a escolha dos autores e a formação das mesas?

Uma característica importante desta Flip é a interdisciplinaridade. A maior parte dos autores atua em diversas áreas e promove um diálogo constante entre elas. O Cees Nooteboom, por exemplo, é um autor que transita pelo romance, ensaio, poesia e a ''literatura de viagem'' com uma desenvoltura fora de série. Também achei fundamental abrir espaço para autores mais novos que talvez não tenham ainda a notoriedade que merecem no Brasil, caso por exemplo do Martin Kohan e do Nathan Englander. A Flip se transformou nos últimos anos numa chancela importante, e creio que seu papel não é apenas insistir nos autores consagrados, mas revelar surpresas.

Qual literatura você pretendeu (ou pretendia) apostar mais alto, acreditando que ainda não havia sido lembrada na Flip?

A literatura italiana, por exemplo, ainda não tinha aparecido na Flip, e este ano estará representada por um de seus nomes mais ilustres (e interdisciplinares), que é o Alessandro Baricco.

A vinda de Lucrecia Martel e Neil Gaiman indica uma abertura para a cultura mais visual?

Não diria isso, mas eles são exemplos claros dessa proposta de intensificar o diálogo entre as áreas. O Gaiman é quadrinista, mas também escreve romances e roteiros. A Lucrecia é diretora de cinema, mas escreve roteiros que trazem questões ricas para qualquer um que se interesse por ficção.

Como serão as homenagens a Machado de Assis?

Haverá uma conferência sobre Dom Casmurro e uma mesa dedicada à obra dele na programação principal, além de uma série de eventos paralelos, como leituras dramáticas, números musicais etc.

Quais nomes estão de fato confirmados (entre nacionais e estrangeiros), quantos faltam e qual seu prazo-limite para definir o time?

Estamos na reta finalíssima. A programação deve estar fechada nos próximos dias. E então poderemos divulgar todos os nomes e mesas. Por ora fiquemos com os já divulgados: Cees Nooteboom, Neil Gaiman, Fernando Vallejo, Tony Judt, Elizabeth Roudinesco, Pierre Bayard, Zoe Heller, Nathan Englander, Martin Kohan, Alessandro Baricco, Lucrecia Martel.