Sexta-Feira, 06 de Junho de 2008 | Versão Impressa

Alta foi mais sentida pelas famílias de baixa renda

Alessandra Saraiva, RIO

Pressionada por alimentos mais caros, a inflação para a população pobre atingiu em maio o maior nível em mais de quatro anos. É o que revelou ontem a Fundação Getúlio Vargas (FGV), ao anunciar a terceira edição do Índice de Preços ao Consumidor - Classe 1 (IPC-C1), que abrange famílias com renda entre 1 e 2,5 salários mínimos, e subiu 1,38% no mês passado. Esse foi o resultado mais elevado da história do índice, iniciada em janeiro de 2004, e bem acima da taxa de abril (0,97%).

Esse nível de inflação também é muito mais elevado do que o impacto sentido pelas famílias com renda mais alta, de até 33 salários mínimos, medido pelo Índice de Preços ao Consumidor - Brasil (IPC-BR) e que subiu 0,87% em maio.

O economista da FGV André Braz explicou que os preços dos alimentos subiram de 1,94% em abril para 2,85% em maio, também a mais intensa elevação da história do índice. Ele lembrou que o peso dos itens alimentícios no cálculo do IPC-C1 é mais elevado do que no IPC-BR porque as famílias de menor renda gastam cerca de 40% de seu orçamento com comida.

Já as famílias de renda elevada destinam 28% do total de seus gastos para esse fim. "A população de baixa renda teve sensibilidade maior ao processo inflacionário."

Entre as cinco maiores elevações de preço no varejo em maio, no âmbito do IPC-C1, quatro são originadas do setor de alimentação. É o caso de pão francês (6,60%); batata-inglesa (18,47%); tomate (15,89%); e arroz branco (15,55%). Com o cenário de alimentos mais caros em maio, a taxa acumulada em 12 meses até maio do IPC-C1, subiu para 8,24%, também a mais forte da história do índice de preços.

No mesmo período, a taxa acumulada em 12 meses do IPC-BR subiu bem menos, em torno de 5,59%. "Nunca houve, na história do IPC-C1, uma diferença em pontos porcentuais tão grande entre as taxas acumuladas dos dois indicadores", acrescentou Braz.