Segunda-Feira, 09 de Junho de 2008 | Versão Impressa
Obama usa economia para derrotar McCain
Candidato democrata vai explorar na campanha preço recorde da gasolina e aumento do desemprego; republicano privilegia segurança
NYT, WPOST, AP, Washington
Com a saída oficial de Hillary Clinton no sábado, declarando seu apoio a Obama, o candidato democrata pôde acertar com assessores os detalhes de sua estratégia daqui para frente. A liderança de sua campanha decidiu atacar em duas frentes. A primeira delas visa ampliar o mapa eleitoral do democrata, desafiando McCain em Estados tipicamente republicanos. A outra é trazer a economia para o centro do debate eleitoral.
Além dos seguidos aumentos do preço da gasolina, um problema mundial que os democratas procuram atrelar à desastrosa política externa do presidente George W. Bush - em especial a guerra no Iraque -, a crise das hipotecas, o crescimento vertiginoso do déficit público americano e o aumento do desemprego no país (em maio ficou em 5,5%, meio ponto percentual a mais em relação a abril) reforçaram os argumentos de economistas de que o país caminha para uma recessão.
O democrata deve bater na tecla de que é hora de mudar. Obama pretende realçar as diferenças entre as propostas republicanas e democratas no tocante à assistência médica, emprego, preço da energia, educação e impostos.
Para ganhar votos, ele pretende aproveitar a infra-estrutura de comitês de apoio e de arrecadação de fundos na maioria dos 50 Estados americanos durante a longa batalha pela nomeação democrata para tentar reduzir a vantagem de McCain nos redutos republicanos.
Obama viaja hoje para a Carolina do Norte, Estado que não vota em um candidato presidencial democrata há 32 anos. Nas próximas duas semanas, ele deve proferir uma série de discursos e participar de reuniões em sedes de prefeituras. De lá segue para Missouri, onde a última vez que se votou por um democrata foi em 1996. Na semana passada, após assegurar a nomeação democrata, ele visitou a Virgínia, outro reduto republicano. Outro objetivo dessa ofensiva é forçar McCain a gastar mais em propaganda onde, em tese, não precisaria.
SEGURANÇA
O candidato republicano aposta que o tema segurança, apesar do fiasco americano no Iraque, será decisivo na escolha do eleitorado do próximo ocupante da Casa Branca.
McCain vai repetir à exaustão que Obama não tem a experiência necessária para ocupar o cargo de comandante-em-chefe das Forças Armadas. O republicano vem fustigando Obama sobre sua proposta de retirada das tropas americanas do Iraque (segundo ele, sem uma estratégia clara e sob o risco de se perder o pouco que se conquistou)e de seu desconhecimento sobre política externa.
As pesquisas refletem essa impressão. Um levantamento do Washington Post-ABC no mês passado mostrou que 71% dos entrevistados consideram McCain como o candidato "com melhor experiência" para ser presidente. O republicano teve 41 pontos percentuais de vantagem sobre Obama no quesito política externa. Por outro lado, 60% dos entrevistados concordam com Obama de que a guerra no Iraque não vale a pena.