Quinta-Feira, 12 de Junho de 2008 | Versão Impressa

Corinthians não resiste. Sport, campeão

Equipe pernambucana vai à luta, bate o Corinthians por 2 a 0 e fatura a taça pela primeira vez

Fábio Hecico

Vida de corintiano não é fácil. Seis meses após chorar com seu time rebaixado, o viu chegar a uma decisão, a da Copa do Brasil. E sair em vantagem de 3 a 1 no primeiro duelo com o Sport. Era o dia da redenção. Encarou três dias de estrada, brigou para conseguir um ingresso e... Mais uma vez amargou decepção. Com derrota por 2 a 0, o título ficou no Recife. O Rubro-Negro, imbatível em seus domínios, é o primeiro representante brasileiro na Taça Libertadores de 2009.

E não é que o gol de Enílton no Morumbi acabou sendo o gol do título. Isso porque com saldos iguais: 3 a 3, o gol fora acabou sendo decisivo.

Título merecido. Conquistado com o maior exemplo do povo nordestino: a luta, entrega, determinação. Superior em todos os 90 minutos, provou não ter eliminado Palmeiras, Internacional e Vasco por acaso.

Ao corintiano resta enxugar as lágrimas e seguir seu calvário em 2008. Agora lhe resta mesmo só a obrigação de torcer para o time subir na Série B.

A decisão foi uma festa bonita, barulhenta e muito comportada. Uma verdadeira lição, por parte das torcidas, de como se torce. Completamente lotada, a Ilha do Retiro se coloriu de vermelho, preto e amarelo em sua maioria, cor do Sport, mas o preto e branco também marcou presença, com muitos corintianos apertados, porém festivos.

Gritos de incentivos de um lado, apupos do outro. E vice-versa. Provocações sadias. Essa acabou sendo a tônica do jogo. Sempre seguindo à risca a orientação do governador Eduardo Campos. A autoridade pediu paz e boa conduta do povo pernambucano. Nesse verdadeiro clima de paz, o Corinthians, todo de branco, entrou primeiro em campo. Num colorido de luzes fumegantes veio a campo o Sport. Um show pirotécnico de dar inveja. O Hino Nacional foi tocado por 42 crianças do colégio militar: 37 alunos do ensino médio e cinco do superior.

Com a bola rolando, um jogo truncado, amarrado, sem chances de gols. O Corinthians, atrás, chutava para o ?mato?, enquanto o Sport mostrava nervosismo. Nelsinho Baptista, logo com 25 minutos, resolveu ousar. Tirou Kássio e pôs Enílton.

Mas nada de finalizar. Sua torcida já mostrava impaciência quando Carlinhos Bala acertou chute cruzado: 1 a 0, aos 34. A torcida se inflamou e, três minutos depois, os pernambucanos faziam o placar que lhes garantiria o título. Luciano Henrique cruzou, Enílton fez o corta-luz e a bola passou de baixo das pernas de Felipe. Uma falha lamentável: 2 a 0 e explosão na Ilha.

Na 2ª etapa, o Sport seguiu mandando na final. E só levou dois sustos, com Lulinha e Acosta, que dividiu com o goleiro Magrão. Se Mano Menezes ganhou a "Batalha dos Aflitos" em 2005, no dia de seu 46º aniversário perdeu a "Batalha da Ilha".

CHAVES DO JOGO

1. APATIA CORINTIANA

O limitado time do Corinthians não mostrou a vontade de jogos passados e pouco criou

2. GOLS RELÂMPAGOS

A equipe do Sport precisou de apenas três minutos para marcar os dois gols que precisava para ficar com o título

3. FALHAS DE FELIPE

Grande jogador do Corinthians ano passado, Felipe foi irregular mais uma vez em 2008 e falhou nos dois gols do Sport