Segunda-Feira, 16 de Junho de 2008 | Versão Impressa
Brasil toma olé dos paraguaios
Time de Dunga perde por 2 a 0, com direito a gol do ?carrasco? Cabañas
Sílvio Barsetti
Dunga levou a campo três volantes e o Brasil pareceu com medo do Paraguai durante todo o primeiro tempo. Talvez a derrota recente, e inédita, para a Venezuela (2 a 0) tenha deixado o treinador meio confuso, sem saber o que fazer para honrar a tradição do futebol brasileiro.
E que o Brasil não reclame da falta de sorte. O Paraguai ainda finalizou duas bolas na trave (com o gordinho Cabañas) e jogou quase todo o segundo tempo com um a menos - Verón foi expulso corretamente aos 2 minutos. A seleção de Dunga abusou dos erros individuais e coletivos. Nada criou. O técnico ainda optou por deixar fora do banco de reservas a maior promessa do futebol nacional: o jovem atacante Alexandre Pato.
Robinho e Anderson foram os únicos que tentaram alguma coisa. O atacante se apresentava, pedia a bola e procurava as tabelas. Depois, foi tomado por uma apatia incrível e se nivelou aos demais. Anderson chutou duas vezes a gol, obrigando o goleiro Villar a boas defesas.
No mais, sempre que a seleção tinha a posse de bola, buscava o mais fácil: levantá-la na área. O lateral Gilberto insistia nos cruzamentos e errava. Do lado direito, Maicon teve uma média mais eficiente - acertava um em cada quatro lances. E Maicon gostou do que viu."Tivemos uma boa atuação."
Veloz nos contra-ataques e jogando com vontade, o Paraguai poderia ter goleado. Abriu o placar após cobrança de escanteio em que toda a zaga do Brasil falhou e Roque Santa Cruz completou sem marcação. O segundo gol veio após a expulsão de Verón. Numa saída rápida, Santa Cruz avançou livre e chutou cruzado. Júlio César deu rebote e Cabañas aproveitou. Dessa forma, confirma a fama recente de carrasco de brasileiros, já que com seus gols pelo América do México eliminou Santos e Flamengo da Libertadores.
No final, a torcida brasileira no Defensores del Chaco gritava "fora Dunga!". Exagero ou não, o técnico terá uma chance de ouro, quarta-feira, para acalmar os críticos. Ou então desapontá-los de vez. O Brasil joga com a Argentina no Mineirão.