Quarta-Feira, 18 de Junho de 2008 | Versão Impressa
Caribe, África e Brasil em álbum de Kiko Dinucci
Músico mostra em Pastiche Nagô, com BandoAfroMacarrônico, refinado mix de carimbó, salsa e samba
Livia Deodato
Paulistano e urbano. É assim que o compositor define o seu mais recente disco, que apresenta hoje, no Ó do Borogodó, ao lado do BandoAfroMacarrônico. O título do álbum, Pastiche Nagô, tem um significado que se estende ao nome do grupo que o acompanha: uma referência às nossas origens africanas, outras latinas e algumas americanas. ''Quando minha mãe vai fazer alguma mistura para comermos, ela costuma dizer assim: ''Vou preparar um pastiche.'' E põe um pouco de tudo na panela - macarrão, ovos, carne'', conta, aos risos.
O álbum é assim também. Cada músico do Bando trouxe uma influência que, para muitos artistas, poderia soar bastante díspar e levar à desarmonia, mas que para eles foi como peneirar uma farinha de rosca sobre o feijão e ainda jogar uma pitada do caldo da pimenta-do-reino sobre a carne. A começar pelo próprio Kiko, que tem como primeiro instrumento o violão, mas nunca se deu muito bem com ele. ''Gosto de tirar um som mais percussivo. Por isso, sempre admirei o Gilberto Gil, o João Bosco. Toco o violão como o baixo, mais ligado a um groove de funk'', conta.
A vocalista Railídia, por sua vez, é paraense e adicionou à mistura o carimbó, enquanto o percussionista Julio Cesar trouxe um quê de música caribenha. Ouça quatro das faixas em http://afromacarronico.blogspot.com e diga se não é de dar água na boca.
Serviço
Kiko Dinucci e BandoAfroMacarrônico. Ó do Borogodó. Rua Horácio Lane, 21, Pinheiros, telefone 3814-4087. Hoje, às 22 h. Ingressos R$ 15