Domingo, 22 de Junho de 2008 | Versão Impressa

Após acordo, PSDB levará chapa única com Alckmin à convenção

A menos de 12 horas do início da votação, tucanos retiram o prefeito Gilberto Kassab, do DEM, da disputa

Silvia Amorim

Um acordo fechado a menos de 12 horas da convenção do PSDB pôs fim à disputa entre o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o prefeito Gilberto Kassab (DEM) para a escolha do candidato dos tucanos à Prefeitura de São Paulo. O partido terá hoje chapa única encabeçada por Alckmin, que será lançado candidato com apoio unânime do PSDB. Numa reunião ontem à noite, o grupo de tucanos pró-Kassab concordou em retirar a chapa que pedia o apoio à reeleição do atual prefeito.

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O acordo foi selado no mesmo dia em que o governador José Serra retornou a São Paulo de uma viagem ao exterior. O vereador Gilberto Natalini, um dos articuladores da chapa pró-Kassab, disse ontem, sem revelar nomes, que a decisão do grupo atende a um pedido feito por lideranças nacionais e estaduais do PSDB. "Houve um apelo do partido em nível nacional, de lideranças estaduais de vários locais e a bancada, embora tenha certeza de que a sua tese sairia vencedora, decidiu reconsiderar e não vamos concorrer", afirmou. "Duas candidaturas jogam água no moinho do PT."

À noite, Serra deu uma demonstração de apoio a Alckmin, que ficou ao lado do governador na hora de receber o príncipe herdeiro do trono do Japão, Naruhito, no Palácio dos Bandeirantes. Kassab chegou mais tarde. Hoje, o grupo pró-Kassab, formado por 11 dos 12 vereadores do PSDB na capital e tucanos que integram o governo municipal, divulgará na convenção carta expondo as razões da desistência da disputa.

Os dois grupos passaram a véspera da convenção reunidos. Nas conversas, os alckmistas concordaram em não impugnar a chapa protocolada na terça-feira favorável a Kassab, que já havia perdido o apoio de 56 dos seus 424 signatários e já não tinha mais o número de assinaturas de delegados do partido suficiente para ser levada à convenção - o mínimo exigido pelo PSDB é de 403. "Foi um gesto que fizemos para chegar a um acordo de chapa única", afirmou o deputado Sílvio Torres (PSDB-SP).

PTB

Pela manhã, Alckmin foi à convenção do seu principal aliado, o PTB, e disse que não temia o enfrentamento. "Nós queremos que o partido fale para que amanhã (hoje) ninguém use mais nenhum argumento para contestar a candidatura própria. A disputa legitima o candidato." Ele evitou críticas aos dissidentes, mas voltou a insinuar ingerência de Kassab na disputa. "Certamente tem forças externas atuando, mas não tem problema. Quem decide pelo PSDB será o PSDB."

O candidato a vice do ex-governador, o deputado estadual Campos Machado (PTB), foi mais incisivo. "No PTB não há covarde nem traidor. Não faz como outros que rastejam como cobras. Aqui ninguém se vende", provocou. "No nosso partido não vai haver nenhuma dissidência."

Alckmin disse que o pedido para que não fosse anulada a chapa pró-Kassab partiu dele. Os tucanos defensores do prefeito ameaçavam recorrer à Justiça para garantir o direito de participar da convenção.

TROCA DE ACUSAÇÕES

Durante toda a semana os dois lados trocaram acusações. Os alckmistas acusaram kassabistas de intimidar e ameaçar delegados para obter assinaturas. Os kassabistas disseram que, por pressão de aliados de Alckmin, muitos delegados estariam retirando apoio da chapa pró-Kassab.

Ontem oficializaram a aliança à chapa do tucano o PTB e o PSDC. Hoje será a vez do PHS e, no dia 29, do PSL. A convenção do PSDB está marcada para começar às 9 horas.