Sexta-Feira, 27 de Junho de 2008 | Versão Impressa
Velocidade de carros em SP cai 32% em 10 anos
No mesmo período, frota avançou 23%; alto número de atendimentos da CET pode ajudar a explicar lentidão
Bruno Tavares
Uma comparação entre as velocidades médias desenvolvidas por um carro e pelo recordista da Corrida de São Silvestre mostra o quanto a situação é crítica. Em 1995, o queniano Paul Tergat cumpriu os 15 quilômetros da prova em 43 minutos e 12 segundos (velocidade média de 20,8 km/h). Para fazer o mesmo percurso à tarde, um automóvel levaria 53 minutos.
Das cerca de 6 mil ocorrências contabilizadas diariamente pela CET, 800 têm maior impacto no sistema viário principal. "Não podemos dizer que se não houvesse ocorrências não teria trânsito, mas é inegável que elas interferem na montagem dos congestionamentos", reconhece o gerente de Comunicação e Engenharia da companhia, Gilson Grilli. Na Central de Operações da CET, as interferências são classificadas em 170 códigos numéricos. O mais comum, segundo Grilli, é o que indica veículo quebrado, seguido pelos acidentes de trânsito.
Só em maio, os agentes da companhia removeram das ruas 11.210 veículos enguiçados, sendo 7.911 automóveis e 2.246 caminhões. Técnicos e especialistas em trânsito estimam que um carro parado numa via expressa como a Avenida 23 de Maio ou as Marginais do Tietê e do Pinheiros por 15 minutos cause 3 quilômetros de lentidão.
O problema é que os congestionamentos acabam atrapalhando não só os motoristas, mas as próprias equipes da CET. Apesar disso, a companhia diz ter conseguido reduzir o tempo médio dos atendimentos. Em 1995, diz Grilli, a espera era de 20 minutos. Hoje, a média é de 15 minutos.
CÍRCULO VICIOSO
Ainda assim, o tempo de deslocamento dos "marronzinhos" está longe de ser o ideal. Já houve períodos melhores: em 2006, os agentes conseguiam remover uma interferência em pouco mais de 11 minutos.
Para o presidente da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP) e ex-presidente da CET, Ailton Brasiliense Pires, dois outros fatores ajudam a explicar a queda da velocidade média no trânsito da capital: o crescimento econômico e a má qualidade e baixa oferta do transporte coletivo. "Não há sistema viário que acompanhe o aumento da frota. Por outro lado, há poucos estímulos ao uso do transporte coletivo." Brasiliense termina fazendo um alerta. "A queda da velocidade média ajuda a elevar os custos do transporte coletivo. No fim das contas, isso causa um círculo vicioso."