Sexta-Feira, 27 de Junho de 2008 | Versão Impressa
Associação de juízes apóia censura
Entidade alega, contudo, que ''suspensão da publicação da matéria'' pelo ''JT'' foi para magistrado analisar caso
Gabriel Manzano Filho
Para a Ajufe, em vez de censura, o que ocorreu foi que, ''cautelarmente, apenas para evitar eventuais danos morais decorrentes da publicação da reportagem, o juiz determinou a suspensão da publicação da matéria até que, de posse da manifestação de ambas as partes (autor e réu), pudesse analisar os argumentos apresentados''.
Assinada pelo seu presidente, Fernando Cesar Baptista de Mattos, a nota constata que, ''portanto, o juiz federal sequer apreciou o pedido de liminar formulado pelo autor.''
Em sua avaliação, Baptista de Mattos pondera: ''É natural e compreensível que decisões judiciais não agradem a todos e, por isso, não estão imunes a críticas''. Mas a crítica, prossegue ele, ''deve ser exercida com serenidade e respeito, indispensáveis ao tratamento cordial dos que exercem funções essenciais à administração da Justiça e também dos representantes de classe.''
O presidente da Ajufe faz, em seguida, uma avaliação do comportamento da imprensa no episódio: ''O inconformismo em relação a decisões judiciais deve ser manifestado com argumentos jurídicos e na seara própria, por meio dos recursos judiciais cabíveis, no devido processo legal, como convém ao Estado Democrático de Direito.'' A seguir, adverte: ''Rótulos pejorativos impostos a magistrados por aqueles inconformados com suas decisões, mormente quando oriundos de órgão da imprensa, são incompatíveis com a postura de sobriedade e com o bom relacionamento entre o Poder Judiciário e a imprensa, construído nas últimas décadas.'' E prossegue: ''É imprescindível que a magistratura seja forte e respeitada. Se for diferente, ao cidadão não haverá nenhum tipo de recurso contra o arbítrio do Estado ou a violência de seu semelhante.''
O texto argumenta, ainda, que ''quando concede decisão que agrada, o Poder Judiciário não aguarda elogios, já que seus integrantes têm consciência de que apenas estão cumprindo seu dever''. E conclui: ''A Ajufe reafirma de público seu compromisso com a transparência das decisões judiciais e com seu propósito de esclarecimento da opinião pública por meio da interlocução com os órgãos de imprensa.''
TRECHOS DA NOTA
"É preciso que se esclareça que não houve censura à imprensa"
"O juiz determinou a suspensão da publicação da matéria até que (...) pudesse analisar os argumentos apresentados"
O inconformismo em relação a decisões judiciais deve ser manifestado com argumentos jurídicos e na seara própria"
"Tais esclarecimentos tornam claro que as manifestações veiculadas na imprensa, nos últimos dois dias, muitas delas desairosas, foram, no mínimo, intempestivas"