Domingo, 29 de Junho de 2008 | Versão Impressa

Em outros países, punições são duras

No Japão, quem se nega a fazer o teste do bafômetro pega três anos de prisão; na Suíça, a multa é paga na hora

Humberto Maia Junior

A lei mais rigorosa não vale nada se não é cumprida e muitos ainda divergem no Brasil sobre a validade da chamada lei seca. Uma legislação, como dizem os especialistas, pode ser seguida por ética própria, valores cívicos elevados, conscientização ou, se não houver nada disso, fiscalização e efetiva punição.

A reportagem procurou saber se as leis contra embriaguez ao volante são cumpridas em outros países e entrevistou brasileiros e estrangeiros que vivem ou já viveram em 13 países. A pesquisa é apenas indicativa, uma vez que a realidade de um país não pode ser resumida em poucos testemunhos.

Mas na Áustria, por exemplo, as punições para quem for pego dirigindo após ter bebido crescem de acordo com a quantidade ingerida. O estudante de Logística Ulrich Winkler, de 23 anos, nasceu e mora em Viena e explica que, ali, quem apresentar taxa de 0,5 decigrama de álcool por litro de sangue, por exemplo, paga multa que varia de 218 (R$ 549,75) a 3.633 (R$ 9.161,81). Mais de 1,6 decigrama, a multa pode chegar a 5.813 (R$ 14.659,40).

Para quem não tem dois anos de carteira, a tolerância naquele país europeu é absolutamente zero. "Eu nunca dirijo após beber. Prefiro voltar a pé ou pegar um ônibus", diz Winkler. Mas ele admite: muitas pessoas, principalmente homens na faixa entre os 18 e os 25 anos de idade, burlam a lei. "A fiscalização não é tão intensa." Uma vez que você seja flagrado, porém, não há saída. "É 100% certo de que pagará multa."