Terça-Feira, 01 de Julho de 2008 | Versão Impressa

Petrobrás dobrará produção diária de petróleo até 2015

Diretor afirma que volume vai passar de 2 milhões para 4 milhões de barris

Jamil Chade

A produção diária de petróleo no Brasil vai dobrar nos próximos anos. A estimativa foi apresentada ontem pela Petrobrás durante o Congresso Mundial de Petróleo, que reúne, em Madri, os principais líderes do setor e governos de todo o mundo. Funcionários da estatal ainda contaram que o Itamaraty e a Marinha estão em um trabalho intenso para convencer a ONU a expandir a fronteira marítima do Brasil, no momento em que todos os países partem em busca de novos campos de óleo.

Segundo Mario Carminatti, gerente geral de exploração das bacias da costa sul da Petrobrás, a estimativa é de que, com as novas descobertas, a produção brasileira de barris passe dos atuais 2 milhões para cerca de 3,5 milhões até 2015. Mas, assim que a produção no pré-sal for realizada, o volume rapidamente passaria para 4 milhões.

"Vamos dobrar a produção e aumentar de significativamente nossas reservas", disse. Hoje, as reservas são de 13,9 bilhões de barris. "Isso vai aumentar de forma substancial. Só não posso dizer quanto porque não sei. Mas, num momento em que o petróleo se transforma no centro do debate, não é má notícia ter tais perspectivas."

A uma audiência curiosa em saber o que de fato existe na costa brasileira, ele explicou que o plano de avaliação do campo Carioca deverá estar concluído em 2012. "Essa será a fase em que avaliaremos se vale a pena investir e se será viável economicamente", afirmou Carminatti. O campo de Tupi será avaliado até dezembro de 2010.

A Petrobrás ainda revelou que o Itamaraty e a Marinha estão fazendo esforços diplomáticos para convencer a ONU a ampliar a fronteira marítima do Brasil. Pelas regras das Nações Unidas, o governo tem o direito soberano de explorar 200 milhas. Mas quer empurrar a fronteira para 350 milhas.

Essa seria uma iniciativa que data já dos anos 70, mas recentemente ganhou novo impulso. A Petrobrás se recusa a dizer se a descoberta de novos campos em alto-mar tem relação com a pressão do governo pela expansão das milhas. "Não sabemos o que existe para lá (da fronteira)", afirmou Carminatti.

Mas a empresa confirmou que ajudou a Marinha a mapear as regiões. A Petrobrás também conta que está "constantemente" avaliando a existência de campos em toda a costa do Brasil, "do Amapá ao Sul".

Hoje, as novas descobertas de campos de petróleo não ficam tão distantes do limite que o Brasil pode explorar no Oceano Atlântico. A diferença entre os campos e a fronteira seria de 60 quilômetros.

ARÁBIA CONGELADA

A iniciativa brasileira é apenas parte da história. Segundo Don Gautier, chefe do Departamento de Geologia do governo americano, há uma corrida hoje no mundo para se descobrir as novas fontes de petróleo. Um estudo apresentado ontem mostra que locais pouco comuns passaram a ser analisados, como a costa da Tanzânia.

Um dos principais focos é o Pólo Norte. "Existe a possibilidade real de que haja uma Arábia Saudita debaixo do gelo do Ártico", afirmou Gautier. "Existem bilhões de petróleo nessa região", afirmou.

Ele garantiu que o governo dos Estados Unidos deve anunciar até o fim de julho as reservas do Ártico. "Haverá uma corrida para lá", disse.