Quinta-Feira, 03 de Julho de 2008 | Versão Impressa
PF detém arrastão na Marginal e mata 2; motorista fica ferido
Grupo de 15 criminosos abordou viatura sem logotipo; promotora socorreu advogado
José Dacauaziliquá e Camilla Haddad
Esse foi o segundo caso de bala perdida na cidade em quatro horas. Às 15h10 de anteontem, três pessoas que passavam na calçada da Avenida Brigadeiro Faria Lima, em Pinheiros, na zona oeste, foram atingidas por criminosos que roubaram um malote com R$ 8 mil de um motoboy que havia saído de uma agência bancária.
O caso da Marginal do Tietê aconteceu às 19 horas. De acordo com a Assessoria de Imprensa da PF, os agentes seguiam de Guarulhos, na Grande São Paulo, para a capital, numa viatura "fria" (sem logotipo). Na saída da Rodovia Presidente Dutra, eles pegaram a pista expressa, mas o trânsito logo parou - também na pista local.
Ainda conforme a PF, os criminosos, alguns deles armados, aproveitaram o congestionamento para assaltar os motoristas. Sem saber que se tratava de uma viatura policial, os ladrões tentaram roubar os agentes federais.
Os policiais saíram do carro e reagiram. Houve, de acordo com a PF, uma troca de tiros com os criminosos. Dois assaltantes foram baleados. Um deles morreu na hora. O outro chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos e morreu ao chegar ao hospital.
Guidolin, que havia parado seu Honda Civic por causa do trânsito, também levou um tiro. A polícia não soube dizer de onde partiu a bala e se o atirador tinha ou não intenção de atingir o advogado. O tiro acertou o pescoço da vítima, que foi levada a um pronto-socorro municipal e transferida para o Hospital Sírio Libanês, onde passou por uma cirurgia e permanece na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Ao ver o advogado caído, um dos agentes correu para a pista local, que dá acesso às ruas que cruzam a via, em direção ao carro da promotora de Justiça Berenice Cristina Corrêa Cherubini, que voltava do Fórum de Mairiporã, onde trabalha.
"Não vi a ação dos bandidos. Vi três deles correndo para as ruas vizinhas à Marginal. Depois disso, o agente federal se identificou, falou que tinha uma pessoa baleada e pediu ajuda. Eu consenti em levar a vítima para o hospital", lembrou a promotora.
O advogado foi colocado no banco traseiro do carro da promotora. O motorista de Berenice seguiu atrás de um táxi, que foi direto para o Hospital Maternidade e Pronto-Socorro do Pari, onde Guidolin recebeu os primeiros socorros.
"A vítima estava consciente e gemia muito de dor. Mas não puxei conversa. Entendi que, em vez de tranqüilizá-la, poderia piorar o seu estado", disse Berenice.
Parentes de Guidolin foram ao hospital para providenciar sua transferência. Horas depois, uma ambulância levou o advogado para o Hospital Sírio-Libanês, onde passou por uma cirurgia. Mas a família não autorizou a Assessoria de Imprensa do hospital a divulgar o estado de saúde do paciente.
O caso foi encaminhado ao 19º Distrito Policial, na Vila Maria, onde foi registrado. Depois, o caso foi registrado na Superintendência da PF, na Lapa, zona oeste, onde um inquérito policial foi instaurado. Uma equipe de agentes deverá continuará a sua apuração.
A promotora que socorreu Guidolin afirmou que seu ato não foi heróico. "Foi um ato de solidariedade, o que está faltando em nossa sociedade. Espero que isso sirva como exemplo."