Sexta-Feira, 04 de Julho de 2008 | Versão Impressa

Empresas ficam à deriva e acumulam prejuízos

Eduardo Nunomura

A professora de espanhol Silvia Manuela Franco estava prestes a fechar um pacote de férias para a família, mas ontem perdeu a viagem ao ir à loja da CVC no Shopping Eldorado. A empresa foi mais uma vítima do apagão tecnológico, que deixou o seu sistema de reservas inativo. Vendedores tentavam consolar os clientes, dizendo que eles também foram prejudicados por não poder reservar vôos e hotéis. Os sites da TAM e da Gol funcionaram normalmente e as duas principais companhias aéreas não avaliaram ainda se tiveram prejuízos. A pane provocou filas no check-in da Gol no Aeroporto de Congonhas ontem à tarde. A empresa informou que o sistema voltou a funcionar às 19 horas.

Já Silvia está há dois dias sem trabalhar em casa, onde tem dois computadores conectados à Speedy, da Telefônica. Entre outras coisas, não pôde enviar as notas do semestre aos alunos. "E não posso ligar para eles, porque só tenho os e-mails", lamentou.

Outra vítima foi a Anson Engenharia, Participações e Empreendimentos. A empresa de fundações mudou-se para Itapevi há alguns anos porque confiava na tecnologia que encurta distâncias. Projetos e propostas iam e voltavam eletronicamente. "É difícil quantificar o prejuízo, mas seguramente podemos estar perdendo bons negócios", afirmou o dono da empresa, José Luiz Saes.

A corretora Banif Investimentos, que opera pela internet, não detectou oscilações anormais na compra e venda de ações. Grandes empresas têm servidores próprios de internet e funcionaram normalmente. A Associação Comercial e o Centro das Indústrias de São Paulo não estimaram prejuízos.