Sexta-Feira, 04 de Julho de 2008 | Versão Impressa

Washington admite ter ajudado em operação

Patrícia Campos Mello, WASHINGTON

O governo americano admitiu ontem participação na missão de resgate dos reféns da guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). A porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, afirmou que os EUA foram informados da operação desde a fase de planejamento, que teria sido concebida e executada apenas por Bogotá. "Os colombianos não precisavam de luz verde nossa", disse Dana. Ela afirmou, porém, que os EUA forneceram ajuda operacional e de inteligência.

O almirante James Stavridis, chefe do Comando Sul dos EUA - responsável pelo relacionamento militar com a América Latina -, disse que muitos de seus subordinados estavam trabalhando em tempo integral pela libertação dos reféns. O comando conduziu 175 operações de inteligência e 3.600 missões de reconhecimento e vigilância na Colômbia para garantir a libertação dos reféns americanos. Foram 17 mil horas de vôo consumidas nos trabalhos.

Stavridis não especificou quantos americanos estavam envolvidos, mas em um discurso em fevereiro disse que havia 35 de seus funcionários trabalhando em tempo integral. "Quando anunciaram a libertação, ouvimos gritos de felicidade no prédio", afirmou Stavridis. O Comando Sul gastou US$ 50 milhões por ano nas operações, nas quais foram empregados 300 funcionários do Departamento de Defesa e outras agências. Stavridis mantém uma foto dos reféns em sua mesa desde que assumiu o Comando Sul, em 2006.

Heide Bronke, porta-voz do Escritório de Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado, afirmou que a operação - qualificada por ele de "sensacional" - foi conduzida e idealizada apenas pelos colombianos. "Temos, porém, uma relação muito próxima com o Exército da Colômbia e compartilhamos inteligência com eles", disse Heide ao Estado.
COM AFP