Sexta-Feira, 04 de Julho de 2008 | Versão Impressa
Mais que mil palavras
Começa amanhã o Festival de Campos do Jordão, dirigido por Roberto Minczuk, cujo tema é a relação entre música e literatura
João Luiz Sampaio
Até o dia 27, serão ao todo 50 apresentações, começando com a Osesp na noite de amanhã e sendo fechado no domingo, dia 27, pela Orquestra Acadêmica, formada por alunos do festival, que desce a serra comandada por Kurt Masur para o concerto oficial de encerramento na Sala São Paulo. Masur é uma das estrelas da programação - Antonio Meneses, Nelson Freire, Glenn Dicterow, Jean-Louis Steuermann, Rosana Lamosa, Fernando Portari e outros solistas engrossam a lista, que, se já teve maior nome de estrelas internacionais, mantém um alto nível de qualidade, que deve render momentos musicais memoráveis no alto da serra . O compositor residente será o carioca João Guilherme Ripper. Não é apenas das mais interessantes vozes do cenário atual mas, também, autor que há tempos trabalha com a literatura, tendo, até mesmo adaptado Anjo Negro, de Nelson Rodrigues, para a ópera.
No concerto de abertura, a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo interpreta uma de suas obras, Desenredo, estreada pelo grupo há pouco mais de um mês na Sala São Paulo e repetida agora por conta da presença do compositor em Campos do Jordão; toca também a Sinfonia Manfred, escrita por Tchaikovski a partir do livro de mesmo nome de Lord Byron, que narra a busca de um homem por sete espíritos que possam perdoá-lo e assim aplacar a culpa secreta que carrega. ''A união das duas formas de expressão artística, música e literatura, gerou obras-primas memoráveis'', explica Minczuk. E, ouvi-las, continua o maestro, possibilita uma compreensão mais ampla do fazer artístico, do processo de criação das obras, rendendo experiência mais rica aos espectadores.