Quinta-Feira, 10 de Julho de 2008 | Versão Impressa

Shahab-3 é ameaça para Israel

Roberto Godoy

Os mísseis que o Irã disparou ontem funcionaram bem. E a revelação mais importante ficou por conta do desempenho das armas usadas no ensaio, com especificações diferentes e uso de vários tipos de ogivas de ataque - algumas delas, segundo informações divulgadas nos Estados Unidos - pesando cerca de 800 quilos. Aparentemente, foram empregadas nove unidades operacionais.

link Roberto Godoy e Marcos Guterman comentam os testes

Os mísseis Shahab-2/3 podem atingir alvos não apenas em Israel, mas também em todo o Oriente Médio - até mesmo as instalações militares dos EUA. Na operação de ontem, os generais da Guarda Revolucionária mandaram para o ar ao menos uma carga múltipla, com 1.400 pequenas bombas destinadas a provocar uma espécie de chuva de fogo e aço quente.

Os Shahab-2/3 (veja o quadro) são produzidos em série regular, de acordo com o relatório da inteligência britânica. O sistema de guiagem é uma combinação de plataforma inercial e sinais de satélite/GPS. O Irã mantém em desenvolvimento os modelos Shahab- 4 e Shahab-5, em fase experimental. O primeiro cobriria até 3,5 mil quilômetros. O segundo, ainda um protótipo, terá alcance intercontinental, para chegar a alguns pontos dos Estados Unidos e da Europa. O analista John Miller, do Foreing Political Center, de Washington, acredita que esse míssil "será uma ameaça consistente a partir de 2013". O receio das potências ocidentais e de Israel é que o arsenal estratégico em formação venha a ser equipado com explosivos nucleares ou cargas químicas de alto poder letal.

As forças israelenses poderiam lançar uma ação preventiva contra a rede de instalações nucleares iranianas utilizando a aviação de precisão e bombas de penetração B61-11 fornecidas pelos EUA. Cada uma pesa 900 kg, e destrói seis metros de concreto reforçado antes de detonar 240 quilos de tritonal, um explosivo que se expande a 1.200 metros por segundo.

Seus alvos prioritários seriam a usina experimental de Natanz e a fábrica de mísseis e gás de urânio em Isfahan.

Os aiatolás investem pesado no programa nuclear autônomo. Em abril, peritos da Agência Internacional de Energia Atômica,a AIEA, apontaram 2015 como o ano em que a capacidade nuclear militar do Irã estará consolidada. Não é o único desafio. As forças convencionais são perigosas mesmo sem armas atômicas. O contingente soma 1 milhão de soldados. O equipamento sai de 240 fábricas, onde trabalham 60 mil pessoas, ao custo de US$ 1,3 bilhão por ano.