Sábado, 12 de Julho de 2008 | Versão Impressa

Polícia desbarata nova máfia dos fiscais

Duas quadrilhas cobravam propina de 7 mil camelôs ilegais e arrecadavam mais de R$ 1 milhão; 11 foram presos

Bruno Tavares, Diego Zanchetta e Rodrigo Brancatelli

A Polícia Civil de São Paulo desarticulou na manhã de ontem um suposto esquema de cobrança de propina de camelôs ilegais que atuam no Brás, zona leste, vitrine política da gestão Gilberto Kassab (DEM) no combate ao comércio clandestino. As investigações mostram que duas quadrilhas agiam dentro da Subprefeitura da Mooca - uma liderada pelo agente de fiscalização Edson Alves Mosquera e a outra por Georges Marcelo Eivazian, assessor político do subprefeito Eduardo Odloak. Além deles, outras nove pessoas foram presas - três fiscais, cinco ambulantes e um advogado. Dois camelôs que tiveram a prisão decretada pela Justiça estão foragidos.

Os achaques eram semelhantes aos praticados pelos integrantes da chamada máfia dos fiscais, que em 1998 levou para a cadeia funcionários públicos e vereadores. Desta vez, porém, as extorsões haviam sido "terceirizadas" e eram feitas por um grupo de camelôs que agia a mando de Mosquera. "Ainda vamos aprofundar as investigações, mas, até o momento, não há ninguém do alto escalão da Prefeitura envolvido", disse o delegado Luís Augusto Castilho Storni, titular da Unidade de Inteligência Policial (UIP), ligada ao Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap).

A Operação O Rapa foi desencadeada após cinco meses de investigações. Tudo começou em fevereiro, quando dois ambulantes da região do Brás procuraram o promotor José Carlos Guillen Blat para denunciar que estavam sendo vítimas de extorsões. Em abril, a polícia prendeu em flagrante dois fiscais da Subprefeitura da Mooca, que exigiam dinheiro de um comerciante do bairro. Foram eles que deram os detalhes sobre o funcionamento dos esquemas e os nomes dos envolvidos.

A quadrilha liderada por Mosquera exigia de R$ 10 a R$ 20 por semana de cada um dos 7 mil camelôs que atuam durante o dia no Brás. Em troca, a máfia oferecia proteção contra as próprias blitze, além de alertar os camelôs sobre as operações policiais na região. Estima-se que a arrecadação mensal do bando girasse em torno de R$ 640 mil.

O segundo esquema, chefiado pelo assessor político da subprefeitura, tinha como alvo os cerca de 500 trailers de alimentos do bairro. O método de arrecadação era o mesmo da outra quadrilha, embora os valores exigidos fossem mais altos - R$ 1 mil por mês de cada vendedor. O advogado Leandro Giannasi Severino Ferreira, candidato a deputado estadual pelo PL nas eleições de 2002, é apontado como o responsável por recolher o dinheiro da propina. A quadrilha agia havia pouco mais de um ano e meio e, nesse período, arrecadou cerca de R$ 500 mil por mês. A polícia quer saber agora qual o destino do montante arrecadado pelos dois esquemas e se há outras pessoas envolvidas nos achaques.