Sábado, 12 de Julho de 2008 | Versão Impressa
Polícia desbarata nova máfia dos fiscais
Duas quadrilhas cobravam propina de 7 mil camelôs ilegais e arrecadavam mais de R$ 1 milhão; 11 foram presos
Bruno Tavares, Diego Zanchetta e Rodrigo Brancatelli
Os achaques eram semelhantes aos praticados pelos integrantes da chamada máfia dos fiscais, que em 1998 levou para a cadeia funcionários públicos e vereadores. Desta vez, porém, as extorsões haviam sido "terceirizadas" e eram feitas por um grupo de camelôs que agia a mando de Mosquera. "Ainda vamos aprofundar as investigações, mas, até o momento, não há ninguém do alto escalão da Prefeitura envolvido", disse o delegado Luís Augusto Castilho Storni, titular da Unidade de Inteligência Policial (UIP), ligada ao Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap).
A Operação O Rapa foi desencadeada após cinco meses de investigações. Tudo começou em fevereiro, quando dois ambulantes da região do Brás procuraram o promotor José Carlos Guillen Blat para denunciar que estavam sendo vítimas de extorsões. Em abril, a polícia prendeu em flagrante dois fiscais da Subprefeitura da Mooca, que exigiam dinheiro de um comerciante do bairro. Foram eles que deram os detalhes sobre o funcionamento dos esquemas e os nomes dos envolvidos.
A quadrilha liderada por Mosquera exigia de R$ 10 a R$ 20 por semana de cada um dos 7 mil camelôs que atuam durante o dia no Brás. Em troca, a máfia oferecia proteção contra as próprias blitze, além de alertar os camelôs sobre as operações policiais na região. Estima-se que a arrecadação mensal do bando girasse em torno de R$ 640 mil.
O segundo esquema, chefiado pelo assessor político da subprefeitura, tinha como alvo os cerca de 500 trailers de alimentos do bairro. O método de arrecadação era o mesmo da outra quadrilha, embora os valores exigidos fossem mais altos - R$ 1 mil por mês de cada vendedor. O advogado Leandro Giannasi Severino Ferreira, candidato a deputado estadual pelo PL nas eleições de 2002, é apontado como o responsável por recolher o dinheiro da propina. A quadrilha agia havia pouco mais de um ano e meio e, nesse período, arrecadou cerca de R$ 500 mil por mês. A polícia quer saber agora qual o destino do montante arrecadado pelos dois esquemas e se há outras pessoas envolvidas nos achaques.