Segunda-Feira, 14 de Julho de 2008 | Versão Impressa
Lei seca reduz morte violenta em 57%
Dados foram recolhidos pelo IML paulistano; nas blitze, número de embriagados caiu para 5,8% dos motoristas
Gilberto Amendola
Os dados foram recolhidos nas três unidades do IML na capital, nas regiões sul, leste e centro (que atende também as regiões norte e oeste). Segundo a Secretaria de Segurança Pública, no primeiro fim de semana de junho foram registradas 14 mortes; no segundo, 11, e no terceiro, com a lei já em vigor, 10. No quarto fim de semana, quando a população tomou conhecimento da nova regra, foram registradas cinco mortes. O mesmo número se repetiu no primeiro fim de semana de julho. Vale ressaltar que o mês de julho é atípico, uma vez que esse é um período de férias escolares.
Mas o número de motoristas flagrados nas blitze da Polícia Militar também está em queda, apesar de a fiscalização estar concentrada nas áreas consideradas "boêmias" da cidade, como Vila Madalena, na zona oeste, Vila Olímpia e Vila Mariana, na zona sul. Entre os dias 27 e 29, segundo fim de semana após a vigência da lei, 416 condutores passaram pela avaliação do bafômetro nas blitze e 8,1% deles haviam ingerido bebida alcoólica antes de pegar no volante. Já entre os dias 4 e 6 de julho, a quantidade de submetidos ao aparelho de dosagem de álcool subiu para 723. Apesar do acréscimo de 73% na fiscalização, o índice de alcoolizados caiu para 7,7% do total. Agora, neste fim de semana, 379 motoristas passaram pelo bafômetro, segundo a Secretaria de Segurança Pública, e apenas 5, 8% estavam embriagados. Na noite de sábado para a madrugada de domingo, oito motoristas foram flagrados pelo aparelho.
"As pessoas não estão deixando de se divertir. Quem acompanha a fiscalização percebe que os bares continuam cheios. O que tem acontecido é que a população se conscientizou para não pegar no volante depois da ingestão de bebidas alcoólicas", disse o comandante do 34º Batalhão de Trânsito da Polícia Militar, major Ricardo Fernandes de Barros. "Não somos contra a cerveja, mas contra quem bebe cerveja e sai dirigindo", completa.
Para o major Barros, a significativa queda nas mortes violentas por acidentes de trânsito é natural e será uma constante a partir de agora. "Graças ao trabalho de conscientização, as pessoas entenderam o espírito da lei. Antigamente, quando a gente abria os jornais na segunda-feira, era aquele banho de sangue, com tantas mortes no trânsito por conta da bebida. Agora, isso começou a ficar diferente", comenta. De acordo com ele, a polícia da capital está trabalhando com 39 bafômetros, mas até o fim desta semana outros 12 serão incorporados à fiscalização.
TIRE SUAS DÚVIDAS
Quais os limites de álcool?
A partir de 6 decigramas de álcool por litro de sangue ou 0,3 miligrama por litro de ar expelido no bafômetro - equivalente a dois chopes -, o motorista pode responder criminalmente. Para punições administrativas são 2 decigramas por litro de sangue ou 0,1 miligrama por litro de ar expelido
Quais as penas para quem for flagrado com índices superiores?
Caso seja enquadrado criminalmente, a pena é de 6 meses a 3 anos de prisão, com fiança. As penalidades administrativas são multa de R$ 957, 7 pontos na CNH e apreensão de documento e carro
Como se verifica o índice?
Com bafômetro, exame de sangue ou exame clínico (quando um médico busca sinais de embriaguez)
O motorista é obrigado a fazer o teste do bafômetro?
Não. Segundo a Constituição, ninguém é obrigado a produzir prova contra si. Mas, em São Paulo, os delegados foram orientados a encaminhar quem se recusar a fazer o teste ao IML, onde terá de passar por exames clínicos. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, caso o motorista se recuse, será preso em flagrante por desobediência
Quanto tempo o álcool fica no sangue após o consumo?
Uma taça de vinho demora cerca de 3 horas para ser totalmente eliminada; uma lata de cerveja, cerca de 4 horas
Alimentos ou remédios com álcool podem ser acusados?
Sim. O Ministério da Saúde trabalha numa lista de medicamentos que são flagrados pelo bafômetro e devem ser usados para regulamentação da lei no Conselho Nacional de Trânsito (Contran)