Segunda-Feira, 14 de Julho de 2008 | Versão Impressa

Enfim, um clássico em paz

Daniel Akstein Batista

Desta vez não teve gol de mão, gás no vestiário, pênaltis duvidosos. Lances polêmicos foram poucos, normais de jogo. Ao contrário dos três confrontos anteriores no ano, São Paulo e Palmeiras fizeram um disputado clássico na tarde de ontem, no Morumbi, sem confusão nenhuma. Em campo, os donos da casa foram superiores, mereceram a vitória por 2 a 1 e voltaram a sonhar com o título brasileiro. Somam agora 17 pontos, na 7.ª colocação. Já o Palmeiras,com 18, está em 5.º lugar.

"Este é o São Paulo que dá gosto de se ver, jogando competitivamente", analisou Rogério Ceni. "Hoje (ontem) jogamos melhor do que o Palmeiras."

Durante a semana, jogadores e cartolas tiveram a preocupação em falar que o clássico prometia paz. As declarações vieram por causa das lembranças dos últimos jogos. No primeiro confronto de 2008, o Palmeiras venceu por 4 a 1, com três gols de pênalti, e teve o atacante Kléber envolvido em confusão com André Dias - acertou uma cotovelada no zagueiro e pegou três rodadas de gancho. Na segunda partida, Adriano marcou com a mão um dos gols da vitória tricolor (2 a 1). E na última vez em que se encontraram, o São Paulo reclamou que o rival jogou um misterioso gás no vestiário do Palestra Itália.

Diante de toda polêmica, a expectativa para o jogo de ontem era grande. Antes de a bola rolar, o clima foi de amizade entre os clubes no Morumbi. "Futebol é entretenimento", disse João Paulo de Jesus Lopes, assessor da presidência do São Paulo. "Tivemos conversas importantes com o Belluzo (Luiz Gonzaga, diretor de planejamento do Palmeiras), para diminuir os ânimos mais quentes que havia entre os clubes, as torcidas. As diretorias conduziram bem esse processo e teremos uma boa partida."

Não fosse o mau comportamento de alguns torcedores tricolores, que se envolveram em briga antes do jogo, o clássico não seria marcado por nenhuma confusão. Dentro de campo, algumas jogadas mais ríspidas entre atletas e discussão entre eles, mas nada que não seja normal num jogo desse porte. A partida valia muito. O São Paulo colocava a vitória como fundamental para seu futuro no campeonato, após uma derrota e um empate. O Palmeiras, um pouco melhor na tabela de classificação e vindo de duas igualdades, queria o triunfo para não perder o Flamengo de vista na busca pela liderança.

Quando o árbitro Carlos Eugênio Simon encerrou o primeiro tempo, o placar de 1 a 0 favorável aos donos da casa não refletia o que fora o jogo. "Devíamos ter feito mais gols", resumiu Jorge Wagner. O São Paulo foi muito superior ao Palmeiras nos 45 minutos iniciais. Criou inúmeras chances de gol, tocava bola com facilidade. O Palmeiras parecia não ter entrado em jogo - assistia passivamente às jogadas do rival, errava demais na defesa e não conseguia chegar ao ataque.

Em três minutos, Borges quase marcou dois gols - na primeira chance chutou para fora e, na segunda, Marcos defendeu. O goleiro palmeirense, ao contrário das últimas rodadas, não conseguiu salvar seu time. Tanto que, quando Jorge Wagner cruzou pela esquerda, o número 12 alviverde pulou em vão e André Dias apareceu para fazer 1 a 0, aos 7 minutos.

O gol animou a torcida e os jogadores do São Paulo. Marcos sofreu um bombardeio durante toda a primeira etapa e só não foi mais vazado porque Hugo e Dagoberto insistiam em errar o alvo.

Após a bronca de Vanderlei Luxemburgo no intervalo, o Palmeiras voltou um pouco mais ligado e veloz na segunda etapa. Ainda era pouco para passar pela forte zaga tricolor. Rogério Ceni quase não teve trabalho durante todo esse períod, graças às boas atuações de Alex Silva e, principalmente, de André Dias.

Valdivia, mais uma vez, deixou a desejar e pouco fez em campo. Na frente, Alex Mineiro sentia-se perdido, já que a ligação do meio-campo com o ataque não funcionava. Kléber ainda tentava voltar para buscar a bola e desperdiçou no início da fse final uma das raras chances de gol que o time do Palmeiras criou.

O São Paulo se armou na defesa e no meio. Trabalhava bem a bola, chegava com facilidade. Éder Luís, que acabara de entrar no lugar do lesionado Borges, contou com um desvio em Jeci para fazer o segundo gol tricolor, aos 38 minutos. No fim, aos 48, Jeci ainda diminuiu para o Palmeiras na única vez em que a zaga tricolor falhou.


CHAVES DO JOGO

1. O 1.º TEMPO TRICOLOR


São Paulo fez 1 a 0, mas poderia ter marcado mais gols, pois criou várias oportunidades.

2. APATIA VERDE

O Palmeiras esteve apático no 1.º tempo e só acordou após bronca de Luxemburgo no vestiário

3. ZAGA SEGURA

Com ótima atuação de Alex Silva e André Dias, o São Paulo deu pouca chance ao Palmeiras


ATUAÇÕES

SÃO PAULO


Rogério Ceni 6 Pouco exigido. Nenhuma grande defesa.

Zé Luís 7 Muito bem na marcação é ótima na saída de bola.

Alex Silva 6 Não perdeu uma pelo alto.Parou Alex Mineiro

André Dias 7 Fez o primeiro gol e anulou Kléber na força.

Joílson 6 Fez o seu papel direitinho. Marcou e foi ao ataque.

Édersem nota Jogou pouco tempo.

Richarlyson 7 Deixou as firulas e reclamações de lado e só jogou bola.

Hugo 6 Marcou Léo Lima e ainda se arriscou no ataque

Hernanes 7 Discreto, mas bom na articulação do meio-campo.

Jorge Wagner 7 Foi´para cima sem medo e atropelou Fabinho Capixaba

Borges 7 Fez Gladstone e Jeci suarem mais do que o normal. Siu Machucado no segundo tempo.

Aloísio 5 Entrou para atormentar os zagueiros adversários e tirar a paciência do árbitro.

Dagoberto6 Jogou bem no primeiro tempo, com muita movimentação. Ruim de pontaria.

Éder Luís7 Entrou e fez o gol que definiu a vitória em sua primeira participação na partida. Muita sorte

PALMEIRAS

Marcos 5 Falhou no primeiro gol, quando não interceptou o cruzamento de Jorge Wagner.

Fabinho Capixaba 4 Fraco no apoio e pior ainda na marcação.

Evandro 4Improvisado na ala, não melhrou em nada o desempenho do setor.

Jeci4 Muito lento no primeiro tempo. Depois melhorou um pouquinho.

Gladstone4 Não conseguiu enxergar Borges, nem Dagoberto, nem nenhum outro atacante.

Leandro 5 Voltou após dois jogos e não fez nada de interessante. Falhou no lance do gol de Éder Luís.

Martinez 6 Jogava bem, mas se machucou no momento decisivo do clássico.

Léo Lima 4 Sobrecarregado na marcação, pouco produziu.

Lenny 3 Entrou e ninguém viu.

Diego Souza 4 Não marcou nem atacou.

Denílson 4Pouco acrescentou ao time.

Valdivia 4 A cabeça deve estar na Europa. Um fracasso.

Kléber 5 Lutou muito, mas jogou pouco.

Alex Mineiro4Deu o único chute certo contra o gol de Rogério. A bola pouco chegou a seus pés.