Sábado, 19 de Julho de 2008 | Versão Impressa
Policial e 2 assaltantes de banco morrem em tiroteio no Butantã
Agente do GOE estava à paisana e conseguiu reagir, mesmo baleado; dois bandidos fugiram
Felipe Grandin
Adanias e outro homem tentaram passar pela porta giratória, mas, armados, não conseguiram. Um segurança percebeu a movimentação estranha e avisou o policial Rafael Ferraz Terra, do Grupo de Operações Especiais (GOE) da Polícia Civil de São Paulo. O agente, de 29 anos, havia feito plantão na noite anterior e estava de folga.
Terra se identificou ao entrar armado no banco e, chamado pelo segurança, saiu para checar o que estava acontecendo. Os bandidos perceberam, porém, que ele era policial e decidiram fugir. Ao sair para persegui-los, um tiroteio começou entre Terra e os criminosos. O agente do GOE morreu no estacionamento do banco.
Antes de morrer, Terra acertou um tiro na perna de Adanias, que teria fugido com Toyota em uma moto azul e branca. Os outros dois bandidos que esperavam do lado de fora fugiram em um Astra prata, com placas de Embu, que tinha ficado estacionado ao lado do banco.
Outro policial do GOE à paisana que passava pela avenida percebeu a movimentação e saiu atirando na dupla. Eles deram um cavalo-de-pau e saíram em alta velocidade pela avenida, batendo em três carros e atropelando uma mulher e sua filha, de 7 anos. As duas foram encaminhadas ao Pronto-Socorro Butantã, na zona oeste, com ferimentos leves. A mãe teve escoriações e a menina, uma luxação no tornozelo. As duas tiveram alta na tarde de ontem.
Mas os dois criminosos do Astra não foram longe. Bateram em um caminhão que fazia manobras na avenida. Para escapar, entraram no estacionamento de um pet shop, batendo novamente em dois carros e na parede da loja, na qual havia oito pessoas. Durante essa perseguição, o policial do GOE matou o carona com um tiro na cabeça, assim que ele tentou sair do veículo. O motorista conseguiu escapar e se refugiar em um depósito de uma empresa ao lado da loja, mas também foi perseguido e morto pelo agente.
A polícia chegou à identificação de Adanias por um descuido do criminoso, que é foragido da Justiça. Ele deixou cair seus documentos na agência do Bradesco. O Astra usado na fuga era de sua namorada. Os policiais foram até a casa de Adanias, na qual encontraram R$ 12 mil, vários celulares e uma suposta lista de pagamento do tráfico de drogas.
DOCUMENTO PERDIDO
O supervisor do GOE, Luiz Antônio Pinheiro, lamentou a morte de Terra. "Era um excelente profissional e sempre agiu dentro da lei. Ele trazia alegria aos colegas nos treinamentos e é assim que vamos nos lembrar dele." Sobre a ação do outro policial, Pinheiro disse que o agente "conseguiu neutralizar os elementos sem ferir a população".