Quarta-Feira, 23 de Julho de 2008 | Versão Impressa
Explosão em academia deixa 2 feridos no Conjunto Nacional
Condomínio na Av. Paulista tremeu, dizem testemunhas; problema foi no ar-condicionado
José Dacauaziliquá e Vitor Hugo Brandalise
Funcionários da Tecnoduto, Santo Galli Sobrinho, de 51 anos, e Rildo Elias Soares, de 39, foram levados ao Pronto-Socorro do Hospital das Clínicas (HC). O estado de Sobrinho é grave - com 60% do corpo com queimaduras de primeiro, segundo e terceiro graus, foi transferido para a Unidade de Queimados do HC. Soares, com fratura exposta na perna direita, passaria por cirurgia.
A explosão aconteceu por volta das 15 horas na parte de trás do prédio, que dá para a Alameda Santos. Soares e Sobrinho estavam na marquise do segundo andar, no lado externo. Soares, ouvido pela polícia no hospital, contou que reparavam um vazamento quando houve a explosão. Disse aos policiais que eles mexiam com um tubo de oxigênio e que não sabe o que teria ocorrido.
O diretor técnico da Bio Ritmo, Saturno de Souza, classificou a manutenção como "de rotina", mas admitiu que o aparelho não funcionava corretamente havia algum tempo.
Segundo o coronel Orlando Rodrigues Camargo Filho, responsável pela Defesa Civil Municipal, a explosão ocorreu no radiador do ar-condicionado. "O oxigênio na presença de graxa é muito perigoso e pode ter sido a causa do acidente." De acordo com o major do Corpo de Bombeiros Jovelino Barbosa Lima, a estrutura do prédio não foi abalada pela explosão.
"Foi um barulho muito forte. O chão chegou a tremer", contou José Roberto Massonetto, dono de papelaria no térreo do prédio. Os seguranças e bombeiros do Conjunto Nacional se reuniram em equipes para atender à ocorrência. Apenas o andar do acidente foi esvaziado. Mas, por segurança, algumas pessoas deixaram o prédio. A área foi isolada, e o trânsito, interrompido na Alameda Santos, por cerca de uma hora.
"Estava no caixa eletrônico, quando ouvi a explosão e o corre-corre. Decidi sair do prédio, porque não sabia o que realmente estava acontecendo", contou o auxiliar administrativo José Mário Oliveira.
EM CHAMAS
Após a explosão, Sobrinho ficou em chamas da cintura para cima, relataram as testemunhas . "Estava no computador, jogando paciência, quando ouvi a explosão. Fui até a janela do meu quarto e vi um homem rolando no meio do arbusto. E ouvia ele gritando por socorro. Só pedia por socorro, mas eram gritos altos", disse a decoradora Maria Lúcia Cunha Campos, de 67 anos - que mora no segundo andar do edifício Guayupiá, na parte residencial do Conjunto Nacional.
"Só depois de um tempo, tomei coragem e fui até a janela. Vi um homem em chamas", disse a secretária Marilu Carvalho - que estava no 14º andar do Horsa I, uma das áreas comerciais do prédio. Segundo a administração do Conjunto Nacional, cerca de 30 mil pessoas circulam pelo hall do edifício diariamente.
Por meio de nota, a administração do Conjunto Nacional e da Bio Ritmo Academia ressaltaram que não houve interrupção no funcionamento do edifício e que a academia voltou às atividades após a explosão.
Na hora do acidente, cerca de 70 pessoas estavam na academia. A explosão deixou um buraco de cerca de 10 centímetros de diâmetro no forro de gesso próximo ao duto do ar-condicionado, em uma das salas do andar inferior.
Amanhã, segundo a administração da academia, as salas do andar inferior - onde são praticados exercícios de bike indoor e de ginástica geral - estarão abertas, sem ar-condicionado. As outras cinco salas do andar superior funcionarão normalmente.