Sexta-Feira, 25 de Julho de 2008 | Versão Impressa

Em Berlim, Obama faz maior comício

Democrata reúne 200 mil pessoas na Alemanha, superando o discurso feito no Oregon, em maio, para 75 mil

Berlim

O senador Barack Obama, primeiro negro a tornar-se candidato à Casa Branca pelo Partido Democrata, voltou a fazer história ontem ao discursar diante da Coluna da Vitória, em Berlim. De acordo com a polícia alemã, 200 mil pessoas acompanharam o discurso, a maior platéia de toda a campanha - o recorde até então havia sido estabelecido em Portland, quando Obama falou diante de 75 mil pessoas às vésperas das primárias do Estado de Oregon, em maio.

link Acompanhe as últimas notícias sobre a viagem de Obama

Em Berlim, Obama lançou uma mensagem de unidade ao mundo, pedindo mais cooperação entre EUA e Europa para derrubar "os muros erguidos após a Guerra Fria".

"O maior perigo de todos é permitir que nos dividam. O muro entre antigos aliados nos dois lados do Atlântico não pode continuar. Os muros entre raças e tribos, nativos e imigrantes, cristãos, muçulmanos e judeus não podem continuar. Esses são os muros que devemos derrubar."

Durante o discurso, o democrata fez claras referências aos ex-presidentes Harry Truman, John Kennedy, Ronald Reagan e Bill Clinton, que fizeram pronunciamentos históricos na cidade. No entanto, diante do fato de ser apenas um candidato, teve o cuidado de apresentar-se como um "cidadão do mundo".

"Venho a Berlim como outros homens do meu país já vieram. Hoje, não falo como candidato à presidência, mas como um cidadão americano e do mundo", disse o candidato logo na abertura do discurso. Ele teve uma acolhida de popstar entre os alemães.

"Agora é hora de construir pontes entre os países. Derrotar o terrorismo e nos unirmos contra os que vivem pelo ódio em vez da esperança", disse Obama. "Na Europa, a visão de que os EUA são parte do problema, e não um parceiro, tornou-se comum. A mudança em Washington não tornará esse fardo mais leve, mas a cooperação entre nossos países é o único caminho."

Para a maioria dos analistas, a viagem de Obama, planejada para reforçar sua imagem de estadista e mostrar para os americanos que pode ser comandante-chefe dos EUA, foi até agora um sucesso.

Antes do discurso histórico de ontem, o democrata se reuniu com a chanceler alemã, Angela Merkel, e com o ministro das Relações Exteriores, Frank-Walter Steinmeier. Hoje, ele se encontrará com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, em Paris, e com o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, em Londres. Obama retorna aos EUA amanhã.

PESQUISAS

Uma pesquisa do Instituto Pew, divulgada ontem, mostrou que a maioria dos eleitores hispânicos votará em Obama. O democrata teria hoje 66% do voto latino, enquanto o republicano John McCain aparece com 23%. Obama também manteve a liderança nacional. Ele está em primeiro lugar em sondagem da rede NBC e do jornal Wall Street Journal: 47% a 41%.

McCain, no entanto, ganhou terreno em Estados-chave. De acordo com pesquisa da Universidade Quinnipiac, ele teria ultrapassado Obama no Colorado (46% a 44%) e estaria bem perto do democrata em Michigan (46% a 42%) e Minnesota (46% a 44%). Até então, Obama mantinha uma vantagem confortável nesses três Estados.

APOIO

O jornal The Jackson Clarion Ledger, da cidade de Jackson, no Mississippi, publicou ontem a história de Dale Leo Bishop, condenado à morte por assassinato. Antes de ser executado, na noite de quarta-feira, ele fez um último pedido: que o povo americano eleja Obama presidente. "Só ele pode abolir a pena de morte nos EUA", disse Bishop, de acordo com o jornal.

NYT, AP E REUTERS


FRASE

Barack Obama

Senador democrata

"O maior de todos os perigos é permitir que nos dividam. O
muro entre antigos aliados nos dois lados do Atlântico não pode continuar. Os muros entre raças e tribos, nativos e imigrantes, cristãos, muçulmanos e judeus não podem continuar. Esses são os muros que devemos derrubar"



AMERICANOS NA ALEMANHA

Presidente Harry Truman
(1945 a 1953)


"Se pusermos nosso poder para trabalhar pela paz, viveremos a era mais maravilhosa da história da humanidade" (discurso de julho de 1945, durante a Conferência de Potsdam, em que Truman aparece com Churchill e Stalin)

Presidente John Kennedy
(1961 a 1963)


"Ich bin ein Berliner", "Eu sou um berlinense" (discurso feito em julho de 1963 diante do prédio da prefeitura de Berlim Ocidental, no qual Kennedy se dizia um cidadão de Berlim, então dividida pelo muro)

Presidente Ronald Reagan
(1981 a 1989)


"Senhor Gorbachev, derrube este muro" (discurso feito em junho de 1987 em Berlim Ocidental, diante do Portão de Brandemburgo, pedindo ao então líder soviético o fim da Guerra Fria)

Presidente Bill Clinton
(1993 a 2001)


"Berlin ist frei", "Berlim está livre" (discurso na parte oriental da cidade, diante do Portão de Brandemburgo, em julho de 1994, referindo-se ao fim da Guerra Fria e à reunificação da Alemanha, ocorrida em 1990)