Sexta-Feira, 25 de Julho de 2008 | Versão Impressa
Grifes ''queimam'' roupas para se adaptar a padrão de tamanho
Megabazar com 40 marcas a preços baixos começa por São Paulo e deve rodar todo o País
Valéria França
Em 2010, quem não estiver dentro dos padrões será multado e, por isso, a pressa da Associação Brasileira do Vestuário (Abravest) em queimar esse estoque imenso, equivalente a 1 ano de produção da indústria nacional. A solução encontrada foi organizar um megabazar que começa por São Paulo, mas deve rodar o País.
Batizado de 2º Mart Center Fashion, o saldão foi organizado num shopping de atacado desativado na Vila Guilherme (Rua Chico Pontes, 1.500, das 10 às 19 horas, de segunda a sábado), com boa estrutura para o público, como cafés e caixas eletrônicos. E conta com o apoio de 40 marcas, que começam a instalar suas lojas. Elas ficam no local até setembro.
Ali, o consumidor vai encontrar mercadorias com até 80% de desconto. É o caso das calças jeans da Zapping (R$ 79). As vantagens são ainda maiores na M.Officer, que colocou qualquer roupa por R$ 10, com exceção das calças - a R$ 30. Mas a mercadoria fica toda embolada em mesões no fundo da loja e, como em todo bazar, é preciso garimpar. Há marcas mais populares que colocaram à venda desde roupa social masculina até peça infantil.
"Organizamos o bazar na zona norte, numa estrutura enxuta e mais barata que num Jockey Club de São Paulo, para conseguir descontos atrativos", diz o presidente da Abravest, Roberto Chadad. Segundo a associação, 60% da indústria já se adaptou. "Ainda precisamos fazer alguns ajustes", afirma Marcelo Giovannetti, diretor de produto da Zoomp. "Estamos sujeitos a algumas variáveis, como o tipo de tecido. Dependendo da lavagem e do tratamento que o peça recebe depois do corte, o tamanho muda." Atualmente 2% da produção da empresa vai para o saldão.
"Hoje, o consumidor tem dificuldade em saber sua numeração", observa a professora de Criação da Faculdade de Moda Santa Marcelina Walquíria Caversan. A reportagem do Estado comparou quatro calças jeans femininas (veja quadro ao lado), de cintura baixa, tamanho 40. Há uma diferença de até 6 centímetros na cintura desses modelos. "Isso causa um preconceito. Tem cliente que só compra roupa na marca em que sua numeração é menor."
As primeiras medidas foram estabelecidas na Inglaterra, em 1305, quando o rei Eduardo I estipulou que uma polegada equivaleria a três grãos de cevada secos e alinhados. Os sapateiros foram os primeiro a aderir, estipulando assim que 38 grãos equivaleriam ao tamanho 38. Já os padrões de roupas nacionais sempre tiveram como base medidas européias e americanas.
As novas regras da ABNT tiveram como base o Censo Antropométrico, com base na metodologia do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que mediu 25 mil brasileiros de Norte a Sul do País.