Sábado, 26 de Julho de 2008 | Versão Impressa

Polícia mata quase 11% a mais no Rio em 2008

Entre janeiro e maio deste ano, foram 649 mortos em confrontos

Clarissa Thomé

A polícia fluminense matou 649 pessoas em "confrontos ou autos de resistência" entre janeiro e maio deste ano. A estatística divulgada ontem pelo Instituto de Segurança Pública (ISP), ligado à Secretaria de Segurança do Rio, revela aumento de 10,75% no índice em relação ao mesmo período do ano passado, quando, no início do mandato de Sérgio Cabral (PMDB), 586 pessoas foram mortas pela polícia. Neste ano, de abril para maio, o crescimento foi de 144 para 147 mortes (2,98%).

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"Esse aumento é o resultado direto da política que estimula o assassinato. Quando os responsáveis pela política de segurança dizem que o número de mortes é um ?stress necessário?, as forças policiais se sentem à vontade para cometer abusos. É uma carta branca que eles têm para atirar primeiro e perguntar depois", diz o cientista social Geraldo Tadeu Monteiro, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e presidente do Instituto Brasileiro de Pesquisa Social (IBPS).

Entre os crimes que registraram maior aumento porcentual em relação ao mesmo período do ano anterior estão extorsão (com mais 28,9%, 158 casos), latrocínio (com mais 20,8%, 15 vítimas) e roubo a transeunte (com mais 18,5%, 4.321 casos). Entre os delitos que tiveram maior redução porcentual estão roubo a residências (com menos 19,1%, 132 casos), roubo de veículo (com menos 18,2%, 2.638 casos), estupro (com menos 9,5%, 57 vítimas) e homicídio doloso (menos 9,25%, 219 vítimas).

O levantamento do ISP mostrou ainda a queda da chamada atividade policial. Houve menos apreensões de drogas (menos 6,2%, 272 registros), menos apreensões de adolescentes (menos 6,3%, 51 registros) e menos armas apreendidas (menos 11%, 531 registros). Houve aumento dos cumprimentos de mandados de prisão (10,3%, 422 mandados) e de prisões em flagrante (0,9%, 58 registros).

"São vários os argumentos de que essa política é ineficiente. Há o argumento moral: o Estado não tem o direito de matar. E há o argumento pragmático: a polícia mata um bocado de gente, mas os índices de segurança não melhoram", diz Monteiro. Se se comparar o número de mortos registrados nos cinco primeiros meses de 2006, último ano de Rosinha Matheus (PMDB), com o atual, verifica-se aumento de 47,16%.