Sexta-Feira, 01 de Agosto de 2008 | Versão Impressa

Idolatrado no Vietnã

Ronaldinho Gaúcho não consegue se livrar de assédio de fãs e jornalistas em Hanói. E se diverte

Almir Leite, HANÓI

Irritados, mas também atônitos, 17 policiais tentam ?proteger? Ronaldinho Gaúcho do assédio. Não querem que ninguém chegue perto. Com um megafone, uma mulher do corpo de segurança, à paisana, grita palavras incompreensíveis aos brasileiros. Pelo tom, pedia que todos se afastassem do craque. A cena aconteceu ontem à tarde, na pista de atletismo do Estádio Nacional de Hanói, que hoje recebe o amistoso entre a seleção olímpica brasileira e o Vietnã. Foi em vão. Ronaldinho parou e conversou com aqueles que queriam falar com ele.

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Basta Ronaldinho aparecer para que policiais ou seguranças grudem nele e saiam empurrando quem aparece pela frente, para ?abrir alas?. Mesmo assim, o agora jogador do Milan sempre consegue dar autógrafo ou tirar uma foto antes de ser empurrado para ?área segura?.

Tamanha tietagem não incomoda o craque. Ao contrário: está contribuindo para que retome o sorriso escancarado e moleque que sempre o caracterizou. "Vou me acostumando, é sempre bom ser tratado com carinho??, disse Ronaldinho. "Vamos a vários lugares do mundo e ser tratado dessa forma é sempre uma surpresa muito boa.??

O meia-atacante de fato não se irrita com o assédio, que é democrático no seu caso. Tanto pode vir de torcedores humildes como de gente abastada, como as que têm condições de pagar US$ 200 de diária no hotel onde a seleção brasileira está concentrada em Hanói. Essas, ao saberem ontem da presença do jogador no local, postaram-se no saguão até ele surgir. Viram o craque, chegaram perto e só então foram cuidar da vida.

Ronaldinho convive bem com a fama. Nada o assusta, garante. Nem mesmo demonstrações de carinho que terminam em tumulto, como ocorreu terça-feira na chegada da seleção ao Vietnã - de repente, se viu em meio a dezenas de fãs alucinados com sua presença e teve grande dificuldade de ir do saguão do aeroporto até o ônibus. Mas não perdeu a calma.

"Aquela foi a maior manifestação que eu já vi. Normalmente tem muito segurança e o povo não tem a possibilidade de ficar perto (dos ídolos). Desta vez foi bem diferente??, admitiu. "Todo mundo teve a oportunidade de chegar perto, de tocar, todos queriam tocar ao mesmo tempo. Uma das vezes em que a gente esteve mais próximo de quem está nos recebendo.??

Assegura que não sentiu medo. "Chegam perto para dar carinho. Nem sabia que aqui gostavam tanto de futebol.??

Assim, volta a conviver com o interesse e a curiosidade que sempre despertou por onde passa graças ao futebol mágico. Há duas semanas foi recebido no Milan por 40 mil pessoas; na primeira etapa da preparação da seleção, em Cingapura, foi de longe o mais solicitado. No Vietnã, ocorre a mesma coisa.

Em tempo: terminado o treino de ontem, Ronaldinho foi um dos últimos a deixar o campo. Os policiais se distraíram e, quando perceberam, ele já estava cercado por vietnamitas, admiradores e jornalistas. Falou algumas palavras de carinho aos fãs e, já ?protegido?, seguiu para o vestiário. Feliz da vida.