Sexta-Feira, 01 de Agosto de 2008 | Versão Impressa
Idolatrado no Vietnã
Ronaldinho Gaúcho não consegue se livrar de assédio de fãs e jornalistas em Hanói. E se diverte
Almir Leite, HANÓI
Basta Ronaldinho aparecer para que policiais ou seguranças grudem nele e saiam empurrando quem aparece pela frente, para ?abrir alas?. Mesmo assim, o agora jogador do Milan sempre consegue dar autógrafo ou tirar uma foto antes de ser empurrado para ?área segura?.
Tamanha tietagem não incomoda o craque. Ao contrário: está contribuindo para que retome o sorriso escancarado e moleque que sempre o caracterizou. "Vou me acostumando, é sempre bom ser tratado com carinho??, disse Ronaldinho. "Vamos a vários lugares do mundo e ser tratado dessa forma é sempre uma surpresa muito boa.??
O meia-atacante de fato não se irrita com o assédio, que é democrático no seu caso. Tanto pode vir de torcedores humildes como de gente abastada, como as que têm condições de pagar US$ 200 de diária no hotel onde a seleção brasileira está concentrada em Hanói. Essas, ao saberem ontem da presença do jogador no local, postaram-se no saguão até ele surgir. Viram o craque, chegaram perto e só então foram cuidar da vida.
Ronaldinho convive bem com a fama. Nada o assusta, garante. Nem mesmo demonstrações de carinho que terminam em tumulto, como ocorreu terça-feira na chegada da seleção ao Vietnã - de repente, se viu em meio a dezenas de fãs alucinados com sua presença e teve grande dificuldade de ir do saguão do aeroporto até o ônibus. Mas não perdeu a calma.
"Aquela foi a maior manifestação que eu já vi. Normalmente tem muito segurança e o povo não tem a possibilidade de ficar perto (dos ídolos). Desta vez foi bem diferente??, admitiu. "Todo mundo teve a oportunidade de chegar perto, de tocar, todos queriam tocar ao mesmo tempo. Uma das vezes em que a gente esteve mais próximo de quem está nos recebendo.??
Assegura que não sentiu medo. "Chegam perto para dar carinho. Nem sabia que aqui gostavam tanto de futebol.??
Assim, volta a conviver com o interesse e a curiosidade que sempre despertou por onde passa graças ao futebol mágico. Há duas semanas foi recebido no Milan por 40 mil pessoas; na primeira etapa da preparação da seleção, em Cingapura, foi de longe o mais solicitado. No Vietnã, ocorre a mesma coisa.
Em tempo: terminado o treino de ontem, Ronaldinho foi um dos últimos a deixar o campo. Os policiais se distraíram e, quando perceberam, ele já estava cercado por vietnamitas, admiradores e jornalistas. Falou algumas palavras de carinho aos fãs e, já ?protegido?, seguiu para o vestiário. Feliz da vida.