Segunda-Feira, 04 de Agosto de 2008 | Versão Impressa
Prazo maior mantém crédito em alta
Márcia De Chiara
Mas os prazos médios dos financiamentos, ao contrário do que normalmente ocorria no passado recente, não encurtaram. Eles ficaram mais longos, aponta pesquisa da Serasa e o Relatório de Crédito do BC. Com isso, o consumidor continua indo às compras sem medo da inadimplência porque a prestação ainda cabe no salário.
O volume de crédito destinado a pessoas físicas atingiu em junho R$ 356,8 bilhões, com alta de 1,5% ante maio e de 32,4% em 12 meses. No primeiro semestre deste ano, o prazo médio atingiu 14,08 meses de todos os financiamentos destinados a pessoas físicas, exceto cartões de crédito, segundo a Serasa. O acréscimo é de quase um mês e meio em relação ao mesmo período de 2007.
O maior crescimento no total dos financiamentos no primeiro semestre ocorreu exatamente nos prazos mais longos e a grande concentração dos empréstimos é de até 12 meses, com 73,2% do total. De acordo com a pesquisa de âmbito nacional, a fatia dos financiamentos com prazo de 37 a 48 meses passou de 2,3% no primeiro semestre de 2007 para 5,3% em igual período deste ano.
A participação de financiamentos superiores a 48 meses também mais que dobrou no mesmo período, de 1,4% para 3,3%. "O consumidor ainda não sentiu o início do ciclo de alta dos juros por causa da elevação do prazo de pagamento", observa o assessor econômico da Serasa, Carlos Henrique de Almeida.
O Relatório de Crédito do BC, divulgado na semana passada, mostra que, em 12 meses até junho, o prazo médio do crédito às pessoas físicas aumentou 63 dias. Só de maio para junho, a alta foi de 11 dias.
O aumento do prazo ocorreu apesar da elevação dos juros cobrados do consumidor. As taxas aumentaram 1,7 ponto porcentual de maio para junho e atingiram 49,1% ao ano - os juros ao consumidor mais alto desde março de 2007.
MEDIDAS ADICIONAIS
"O governo vai ter sorte se a inflação cair na conjuntura atual", afirma o vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel Ribeiro de Oliveira.
Ele acredita na necessidade de encontrar medidas adicionais - não apenas a elevação da taxa básica de juros - para conter a expansão do volume de empréstimos ao consumidor. Na avaliação do economista, o ciclo de alta das taxas de juros não está tendo hoje a mesma eficácia que tinha no passado por causa de uma conjugação de vários fatores.